Casos de Sucesso

Comida de comitiva: quando a tradição vira negócio

No Pantanal, quem dita o ritmo da vida são as águas: quando as partes mais baixas ficam alagadas. o gado precisa ser levado para pontos mais altos e esse caminho é percorrido pelas comitivas. Você já deve ter ouvido falar delas, mesmo que tenha sido por meio da música “Comitiva Esperança”, de Paulinho Simões e Almir Sater.

Sem pressa de chegar, a comitiva cavalga pelo MS conduzindo o gado por dias, fazendo algumas pausas durante o trajeto para poder comer e recarregar as energias. Nesse trabalho, cada um é importante e desempenha um papel diferente; e, assim como no empreendedorismo, planejamento, trabalho em equipe, foco e dedicação são importantes.

É um trabalho encantador e cheio de regionalidade. Apesar de a tecnologia já estar mudando um pouco a rotina no campo, a tradição sempre encontra formas de se manter viva e, dessa vez, a intenção é fisgar novas e antigas gerações pelo estômago.

De geração em geração

Falar de comitiva é falar também de comida, pois os pratos preparados durante essa jornada são extremamente simbólicos para o estado, como o arroz carreteiro, feijão e macarrão de comitiva. Cícero José conhece bem esses sabores. “Quando mais novo, viajei no estradão junto com comitiva e essa experiência ajudou e muito a trazer a essência da comida de comitiva para o negócio”, explica.

Há 2 anos na Avenida Pantaneta, em Aquidauana, Cícero, a esposa e o neto conduzem uma cozinha de comitiva que não viaja para o Pantanal, mas promete trazer todos os sabores do “estradão”. De acordo com Blendon, neto de Cícero, a Comitiva Shalom está crescendo. “Estou aumentando o espaço e percebo o quanto estamos fazendo sucesso pela chegada de convites para cozinhar em eventos particulares”, comenta.

Paixão antiga

Há 12 anos Hélio Martins Lopes deixava as comitivas para se dedicar ao amor pela cozinha pantaneira. Foi atrás das panelas e da gestão do restaurante Comitiva do Helinho que ele encontrou sua verdadeira paixão. “Eu puxava comitiva no Pantanal, mas sempre gostei de cozinhar, desde pequeno”, conta.

Foto: Gerson Walber

Durante as viagens com a comitiva, Hélio diz que não era o responsável por preparar a comida para os peões. “Na comitiva, a gente já tinha o cozinheiro. Só que se chegasse de noite e a gente quisesse comer, era eu que ia fazer, sabe? Porque eu gostava muito de fazer a comida”, relembra.

Conterrâneo de Cícero, Hélio saiu de Aquidauana e, em Campo Grande, decidiu que iria se tornar o primeiro restaurante tipicamente pantaneiro no nome e no cardápio. O talento na cozinha fez com que o negócio se expandisse e se tornasse também um buffet que atende em eventos grandes, como leilões e feiras do setor pecuário.

E as comitivas não são as únicas fontes de inspiração para os empreendedores. Há diversas tradições de muitas regiões do Brasil e até de outros países que podem se transformar em empresas de sucesso. Se você já teve uma ideia de negócio que tem origem de uma tradição, basta começar o planejamento e contar com a ajuda do Sebrae para que seja tão feliz quanto os empresários das duas histórias que contamos aqui.

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