Casos de Sucesso

27 Janeiro, 2018 • Casos de Sucesso

Um doce negócio

Um brownie de sobremesa, um cookie quentinho para o café da tarde, um chocolate artesanal para presentear. Poucos resistem a um doce, certo? Em Campo Grande, tem gente fazendo disso um negócio de muito sucesso.

Formada em Direito e trabalhando como gerente administrativa em uma empresa de TV a cabo, Natalie Pavan começou a desenvolver receitas de cookies para agradar o marido, Paulo Ifran, apaixonado pelo doce tradicionalmente norte-americano. Quando um amigo estava com dificuldades para arrumar emprego, Natalie começou a fazer as receitas para que ele pudesse vender nas portas das escolas.

“Ele vendia tudo, mas percebemos que o cookie tinha maior aceitação quando estava quentinho. Foi quando veio a ideia de abrir um ponto onde pudéssemos assar na hora. Não tínhamos dinheiro guardado para investir, então, compramos um freezer usado, um forno elétrico e uma batedeira no cartão de crédito e escolhemos um lugar que aceitasse pagamento para 30 dias, em vez de adiantado”, relembra. Assim nasceu a My Cookies, no supermercado Wal Mart. O investimento inicial não passou de R$ 5 mil.

No 1º mês, conseguiram pagar o investimento e o salário do Paulista, o amigo que não arrumava emprego e foi contratado pelo casal. No 2º mês, o movimento aumentou; e, no 3º, os cookies acabavam e o quiosque tinha que ser fechado antes da hora.

Nessa época, os cookies eram feitos aos domingos, na cozinha da casa da Natalie mesmo, e eram congelados para serem assados e vendidos durante a semana. Paulo, que é personal trainer, largou as aulas para poder ajudar na logística. Depois de seis meses, alugaram uma cozinha, contrataram dois funcionários e abriram um novo ponto, dessa vez no Shopping Norte Sul Plaza.

Com a produção a todo vapor, Natalie percebeu que era hora de entrar de cabeça no negócio. “Foi nesse momento que eu percebi que ou a gente profissionalizava e crescia ou ía acabar ficando estagnado. Participei da última turma do Empretec do Sebrae e criei coragem para tomar decisões importantes para o futuro do negócio. Topei a proposta de abrir mais um ponto, no Shopping Bosque dos Ipês, na qual eu já estava pensando há algum tempo, e decidi também sair do meu emprego para me dedicar exclusivamente ao negócio”, conta.

Em novembro de 2017, a My Cookies completou um ano com 14 funcionários – entre eles o Paulista -, produção diária de 1.500 cookies em 11 sabores; um novo ponto sendo preparado em Corumbá e projeto de virar franquia.

Sucesso por acaso

Designer de produtos, Beatriz Branco participou da mesma turma do Empretec que Natalie. Mas, quando se inscreveu para o curso, buscava uma maneira de tornar rentável uma linha de óculos artesanais que havia desenvolvido. Professora de inglês e espanhol e consultora na sua área de formação, Bia já se imaginava empreendendo, tanto que seu TCC da faculdade foi a criação de uma linha de móveis artesanais inspirados no Pantanal; mas nunca se viu trabalhando com alimentos.

“Existe um módulo no Empretec em que você tem que criar, de um dia para outro, um produto fora da sua expertise e vender esse produto, como se ele fosse real. Eu adoro chocolates e sou apaixonada pelo Pantanal, então criei um chocolate com ingredientes regionais. Aprendi a fazer chocolate com tutoriais na internet, o nome Angí vem da árvore Angico, que é a minha preferida, e a marca veio de fotos que eu sempre tirei dessa árvore”, relembra.

Resultado: o chocolate da Bia foi o produto que mais vendeu no Empretec, e os pedidos continuaram acontecendo mesmo depois que o curso acabou. A marca existe há apenas quatro meses, mas as barras de chocolate de 100g nos sabores castanha de baru, guavira com cachaça, pequi com pimenta, banana da terra, bocaiúva e jatobá já são um sucesso. Além dos pedidos, que não param, tem confeiteiro profissional usando o chocolate da Bia para fazer a receita do ganache que vai na tortinha e como recheio de croissant.

Para conseguir atender à demanda, Bia participou de um edital de incubação da Prefeitura de Campo Grande e agora produz seus chocolates em uma cozinha industrial. A matéria-prima, ela faz questão de ir até o interior buscar com pequenos produtores e cooperativas.

“Acredito que os pequenos produtores têm uma energia e uma ligação diferente com o que eles produzem. E eles não são só meus fornecedores, se tornam meus amigos, a gente se envolve com as histórias de vida. Apesar de não ter sido planejado, espero ter criado um produto que mude a forma de as pessoas pensarem e se relacionarem com a comida”, comenta.

 Do hobby à paixão

Nutricionista, apaixonada por receitas doces, mas trabalhando em um hospital, Jaqueline Vieira nem sempre pôde colocar em prática suas habilidades como doceira. Concursada há mais de 20 anos, Jack passou por uma fase complicada no trabalho cerca de quatro anos atrás. De férias no Rio de Janeiro, uma amiga cerimonialista percebeu o desânimo da profissional e propôs que ela fizesse doces como hobby. Lá mesmo, fez um curso e algumas compras. Voltando para Campo Grande, continuou se especializando na área e aprendeu a fazer bolo-bombom, receita até então desconhecida na capital sul-mato-grossense.

Certa vez, fez 36 bolos-bombons e levou para o trabalho. Vendeu tudo em uma hora. O marido, Márcio, que é publicitário, criou a marca “Meu Bolo-Bombom” para profissionalizar o negócio. No entanto, os clientes começaram a pedir por novos produtos e doces diferentes; e assim nasceu a “Jack Vieira Doces”.

Cupcakes, bolo no pote, brownie, mousses, banoffee pie e palha italiana são só alguns dos doces que a marca oferece. Isso, sem falar de docinhos personalizados e bolos para festas. O negócio começou a dar tão certo que, em 2013, Márcio, que antes só ajudava nas entregas das encomendas, desistiu da sociedade que tinha em um estúdio de criação para se dedicar só à empresa.

Nas redes sociais, nas festinhas ou nas empresas onde são vendidos, os doces da Jack são um sucesso. De acordo com a nutricionista, a qualidade do produto é que faz a diferença.

“A gente prioriza mesmo a qualidade dos ingredientes, ainda que isso signifique reduzir um pouco a nossa margem de lucro. Isso tem total impacto na fidelidade dos clientes. Como a gente vende diretamente, a gente lida cara a cara com as críticas, com as sugestões”, explica Jack.

O negócio, que começou despretensioso, tomou conta da vida da família e, hoje, é um aporte financeiro importante. Sem funcionários, pai, mãe e até os três filhos entram na jogada quando precisam de ajuda.

“Estamos crescendo no nosso próprio ritmo. Futuramente, queremos abrir uma loja física e certamente o Sebrae/MS vai participar com a gente dessa jornada”, finaliza Marcio.


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