Empreendedorismo

30 setembro, 2020 • Empreendedorismo

Como as empresas do setor de eventos estão se adaptando ao impacto da pandemia

Desde que os primeiros casos de Covid-19 foram confirmados no Brasil, em fevereiro deste ano, as autoridades reforçam a recomendação de evitar aglomerações como forma de prevenir o contágio pela doença. Como consequência, grandes e tradicionais eventos foram adiados e até cancelados. De acordo com estudo da Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape), 51,9% dos eventos previstos para ocorrer este ano foram cancelados, adiados ou estão em situação incerta. Festa do Peão de Barretos, Festival de Cinema de Gramado, Festival de Parintins, Oktoberfest, Salão do Automóvel e Virada Cultural de SP são só alguns exemplos.

Mas não foram só os grandes eventos culturais e de negócios que sofreram (e ainda vão sofrer por um tempo) os impactos da pandemia de coronavírus. O setor de eventos sociais (como casamentos, formaturas e aniversários) e corporativos também teve que se adaptar para sobreviver na nova realidade.

Foi o que fez o cerimonialista e assessor de eventos Gil Saldanha que, além de trabalhar muito para reorganizar os eventos que já estavam programados para este ano, aproveitou o período para “colocar a casa em ordem”. Ele explica melhor: “Ninguém esperava que essas restrições fossem durar o ano inteiro praticamente. Passamos a maior parte do tempo fazendo a gestão dos contratos que estavam previstos para este ano, foram cerca de 30 casamentos para os quais precisávamos encontrar novas datas que conciliassem todos os fornecedores. Além disso, aproveitei para reorganizar minha apresentação e meu checklist e me preparar para receber aquele cliente que vem agora mais preocupado, mais desconfiado”, explica Gil.

A queda na procura por orçamentos (e, consequentemente, no faturamento) foi de cerca de 30%. Nos meses de agosto e setembro, por exemplo, Gil conta que não fechou nenhum contrato novo.

Para não fechar a empresa, que já atua há 13 anos no mercado sul-mato-grossense, e continuar garantindo sua subsistência, Gil tomou algumas decisões difíceis, mas importantes e necessárias: fechou o escritório físico (o que já era um desejo há tempos) e passou a atender os clientes de forma virtual. Para aqueles que fazem questão de um atendimento presencial, Gil abriu a sala de sua casa. Além disso, o empresário negociou o contrato de trabalho de sua assistente, para não precisar demiti-la, e começou a buscar novas opções de negócios, como a venda de imóveis.

Apesar de todos os problemas que a pandemia trouxe, Gil se mostra otimista. “Sei que quando for seguro, as pessoas vão querer se reunir para celebrar e comemorar a vida. Deixar para trás tudo de ruim que passou. Vamos trabalhar bastante para compensar o tempo parado e espero que essa nova fase venha mais leve”, comenta.

Sem festas, sem vestidos

Outra empresária que sentiu sobremaneira a queda na procura e no faturamento foi a economista Fernanda Couto Ajala. Com quase 5 anos no mercado de aluguel de roupas e trajes para festas e sem conseguir acesso a crédito, a Alugue Seu Dress teve que diminuir custos e renegociar contratos para conseguir se manter.

“Os funcionários que tínhamos em fase de teste ou prestadores de serviços pontuais que estavam com uma demanda crescente de serviços na empresa foram dispensados. Funcionários com carteira assinada estão suspensos temporariamente, como nossas costureiras, ou trabalhando sob escala com menor carga horária, como as vendedoras”, explica Fernanda.

Momentos de dificuldade exigem criatividade e a empresária até lançou uma promoção para ensaios fotográficos em que as clientes poderiam escolher os trajes e fazer fotos nos ambientes da loja. No entanto as pessoas não se mostraram receptivas para essa ação e nenhuma alternativa ajudou a gerar movimento.

“Nossa expectativa gira em torno da vacina e da liberação de eventos com as devidas precauções. Apesar de toda a queda, estamos esperançosos e sabemos que, quando voltar a fase dos eventos, todas as festas serão em datas concentradas e recuperaremos do prejuízo”, afirma.

Se reinventar para comemorar

Formada em administração de empresas, Anne Carolynne Pucena trilhou um caminho já conhecido por muitas empreendedoras que são mães: foi organizando as festas de aniversário para os três filhos que se apaixonado pela área e então criou duas empresas no setor: a Festa da Alegria, que há 13 anos trabalha com design de decoração de festas, principalmente infantis, e a Acervo Decorar, que há 2 anos aluga mobiliários e objetos para festas.

Os decretos da prefeitura mudaram os rumos dos negócios. “Foram 60 dias com as portas fechadas, 60 dias sem renda nenhuma, pagando do bolso as despesas que tinha com três funcionários”, relembra Anne.

Depois de algum tempo, Anne percebeu que não precisava parar suas atividades, mas que precisava se adaptar. Foi quando, com ousadia, fez um investimento em 30 painéis pequenos, contratou um freelancer e foi montando os cenários e postando nas redes sociais. Em casa, as famílias não deixaram de comemorar, apenas mudaram o formato da festa: comemorações menores, às vezes até em dois dias para receber os parentes em grupos com menos gente.

Acostumada a atender grandes festas em buffets, Anne confessa que as locações não pagam todas as contas da empresa, mas que a alternativa tem ajudado a manter as empresas vivas e ativas no mercado.

Duas empresas, dois desafios

O Grand’Mere Buffet é uma das empresas do setor de eventos mais tradicionais de Mato Grosso do Sul. Já na terceira geração de empresários, são mais 30 anos realizando todo tipo de evento. Mas nem isso a tornou imune aos impactos da pandemia de coronavírus.

Com o salão fechado para respeitar os decretos municipais e estaduais, a empresa focou no serviço de buffet. “Já oferecíamos o serviço de almoços e jantares personalizados, o que aconteceu foi um aumento nessa demanda e uma mudança do perfil desse cliente também. Nunca tinha feito delivery de marmita pra duas pessoas, por exemplo, hoje eu faço isso e faço porque é o cliente que tem”, explica Deo Filho, sócio da empresa e filho de Regina Torres, fundadora do buffet.

Como a empresa sempre teve uma agenda de eventos contínua, a equipe de funcionários é fixa, contratada mesmo, diferente de outros buffets menores que contratam freelancers por diária. Só na cozinha, eram 20 funcionários, fora a equipe de garçons, limpeza, entre outros. O fechamento do salão fez com que a empresa desligasse alguns funcionários, mas com a certeza de que serão recontratados tão logo a situação normalize.

Ainda no segmentos de eventos, Deo tem também uma outra empresa, a Show Bar Experience, focada em serviço de bartenders. Como a empresa é menor e tem menos funcionários, foi possível fazer acordos para que ninguém fosse demitido.

Com um pouco mais de tempo livre, Deo tem aproveitado para se dedicar a preparar um curso para formar e profissionalizar a mão de obra que ele mesmo sente tanta dificuldade para contratar, além de gerar receita. “Para atender um casamento para 400 pessoas, eu preciso de 15 bartenders. E isso é para um evento, geralmente a gente realiza seis ou sete em um final de semana. Então a dificuldade de contratar mão de obra qualificada é um problema que estou tentando resolver com esse curso, onde eu apresento muito do que aprendi enquanto morei na Nova Zelândia, além da minha experiência de 15 anos na área. Penso que é algo que dê para dar continuidade mesmo depois que a pandemia passar, pois é algo que consigo fazer durante a semana, por exemplo”, finaliza.

Desde que os primeiros casos de Covid-19 foram confirmados no Brasil, em fevereiro deste ano, as autoridades reforçam a recomendação de evitar aglomerações como forma de prevenir o contágio pela doença. Como consequência, grandes e tradicionais eventos foram adiados e até cancelados. De acordo com estudo da Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape), 51,9% dos eventos previstos para ocorrer este ano foram cancelados, adiados ou estão em situação incerta. Festa do Peão de Barretos, Festival de Cinema de Gramado, Festival de Parintins, Oktoberfest, Salão do Automóvel e Virada Cultural de SP são só alguns exemplos.

Mas não foram só os grandes eventos culturais e de negócios que sofreram (e ainda vão sofrer por um tempo) os impactos da pandemia de coronavírus. O setor de eventos sociais (como casamentos, formaturas e aniversários) e corporativos também teve que se adaptar para sobreviver na nova realidade.

Foi o que fez o cerimonialista e assessor de eventos Gil Saldanha que, além de trabalhar muito para reorganizar os eventos que já estavam programados para este ano, aproveitou o período para “colocar a casa em ordem”. Ele explica melhor: “Ninguém esperava que essas restrições fossem durar o ano inteiro praticamente. Passamos a maior parte do tempo fazendo a gestão dos contratos que estavam previstos para este ano, foram cerca de 30 casamentos para os quais precisávamos encontrar novas datas que conciliassem todos os fornecedores. Além disso, aproveitei para reorganizar minha apresentação e meu checklist e me preparar para receber aquele cliente que vem agora mais preocupado, mais desconfiado”, explica Gil.

A queda na procura por orçamentos (e, consequentemente, no faturamento) foi de cerca de 30%. Nos meses de agosto e setembro, por exemplo, Gil conta que não fechou nenhum contrato novo.

Para não fechar a empresa, que já atua há 13 anos no mercado sul-mato-grossense, e continuar garantindo sua subsistência, Gil tomou algumas decisões difíceis, mas importantes e necessárias: fechou o escritório físico (o que já era um desejo há tempos) e passou a atender os clientes de forma virtual. Para aqueles que fazem questão de um atendimento presencial, Gil abriu a sala de sua casa. Além disso, o empresário negociou o contrato de trabalho de sua assistente, para não precisar demiti-la, e começou a buscar novas opções de negócios, como a venda de imóveis.

Apesar de todos os problemas que a pandemia trouxe, Gil se mostra otimista. “Sei que quando for seguro, as pessoas vão querer se reunir para celebrar e comemorar a vida. Deixar para trás tudo de ruim que passou. Vamos trabalhar bastante para compensar o tempo parado e espero que essa nova fase venha mais leve”, comenta.

Sem festas, sem vestidos

Outra empresária que sentiu sobremaneira a queda na procura e no faturamento foi a economista Fernanda Couto Ajala. Com quase 5 anos no mercado de aluguel de roupas e trajes para festas e sem conseguir acesso a crédito, a Alugue Seu Dress teve que diminuir custos e renegociar contratos para conseguir se manter.

“Os funcionários que tínhamos em fase de teste ou prestadores de serviços pontuais que estavam com uma demanda crescente de serviços na empresa foram dispensados. Funcionários com carteira assinada estão suspensos temporariamente, como nossas costureiras, ou trabalhando sob escala com menor carga horária, como as vendedoras”, explica Fernanda.

Momentos de dificuldade exigem criatividade e a empresária até lançou uma promoção para ensaios fotográficos em que as clientes poderiam escolher os trajes e fazer fotos nos ambientes da loja. No entanto as pessoas não se mostraram receptivas para essa ação e nenhuma alternativa ajudou a gerar movimento.

“Nossa expectativa gira em torno da vacina e da liberação de eventos com as devidas precauções. Apesar de toda a queda, estamos esperançosos e sabemos que, quando voltar a fase dos eventos, todas as festas serão em datas concentradas e recuperaremos do prejuízo”, afirma.

Se reinventar para comemorar

Formada em administração de empresas, Anne Carolynne Pucena trilhou um caminho já conhecido por muitas empreendedoras que são mães: foi organizando as festas de aniversário para os três filhos que se apaixonado pela área e então criou duas empresas no setor: a Festa da Alegria, que há 13 anos trabalha com design de decoração de festas, principalmente infantis, e a Acervo Decorar, que há 2 anos aluga mobiliários e objetos para festas.

Os decretos da prefeitura mudaram os rumos dos negócios. “Foram 60 dias com as portas fechadas, 60 dias sem renda nenhuma, pagando do bolso as despesas que tinha com três funcionários”, relembra Anne.

Depois de algum tempo, Anne percebeu que não precisava parar suas atividades, mas que precisava se adaptar. Foi quando, com ousadia, fez um investimento em 30 painéis pequenos, contratou um freelancer e foi montando os cenários e postando nas redes sociais. Em casa, as famílias não deixaram de comemorar, apenas mudaram o formato da festa: comemorações menores, às vezes até em dois dias para receber os parentes em grupos com menos gente.

Acostumada a atender grandes festas em buffets, Anne confessa que as locações não pagam todas as contas da empresa, mas que a alternativa tem ajudado a manter as empresas vivas e ativas no mercado.

Duas empresas, dois desafios

O Grand’Mere Buffet é uma das empresas do setor de eventos mais tradicionais de Mato Grosso do Sul. Já na terceira geração de empresários, são mais 30 anos realizando todo tipo de evento. Mas nem isso a tornou imune aos impactos da pandemia de coronavírus.

Com o salão fechado para respeitar os decretos municipais e estaduais, a empresa focou no serviço de buffet. “Já oferecíamos o serviço de almoços e jantares personalizados, o que aconteceu foi um aumento nessa demanda e uma mudança do perfil desse cliente também. Nunca tinha feito delivery de marmita pra duas pessoas, por exemplo, hoje eu faço isso e faço porque é o cliente que tem”, explica Deo Filho, sócio da empresa e filho de Regina Torres, fundadora do buffet.

Como a empresa sempre teve uma agenda de eventos contínua, a equipe de funcionários é fixa, contratada mesmo, diferente de outros buffets menores que contratam freelancers por diária. Só na cozinha, eram 20 funcionários, fora a equipe de garçons, limpeza, entre outros. O fechamento do salão fez com que a empresa desligasse alguns funcionários, mas com a certeza de que serão recontratados tão logo a situação normalize.

Ainda no segmentos de eventos, Deo tem também uma outra empresa, a Show Bar Experience, focada em serviço de bartenders. Como a empresa é menor e tem menos funcionários, foi possível fazer acordos para que ninguém fosse demitido.

Com um pouco mais de tempo livre, Deo tem aproveitado para se dedicar a preparar um curso para formar e profissionalizar a mão de obra que ele mesmo sente tanta dificuldade para contratar, além de gerar receita. “Para atender um casamento para 400 pessoas, eu preciso de 15 bartenders. E isso é para um evento, geralmente a gente realiza seis ou sete em um final de semana. Então a dificuldade de contratar mão de obra qualificada é um problema que estou tentando resolver com esse curso, onde eu apresento muito do que aprendi enquanto morei na Nova Zelândia, além da minha experiência de 15 anos na área. Penso que é algo que dê para dar continuidade mesmo depois que a pandemia passar, pois é algo que consigo fazer durante a semana, por exemplo”, finaliza.


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