Dicas de Empreendedorismo

O que aprender com os filósofos da internet

Com um jeito irônico e bem-humorado, os filósofos da internet Leandro Karnal, Mário Sérgio Cortella e Clóvis de Barros Filho democratizam o conhecimento filosófico ao tratar de assuntos como ética, democracia, religiosidade, felicidade e morte.

Com um jeito irônico e bem-humorado, os filósofos da internet Leandro Karnal, Mário Sérgio Cortella e Clóvis de Barros Filho democratizam o conhecimento filosófico ao tratar de assuntos como ética, democracia, religiosidade, felicidade e morte.


“Após estudar 500 milionários, jornalista americano dá receita do sucesso em 13 passos”, diz o título de um artigo que reúne as principais dicas publicadas no livro Quem Pensa Enriquece, publicado em 1937 pelo jornalista norte-americano Napoleon Hill. A obra é resultado de uma parceria com o empresário Andrew Carnegie, que liderou a expansão da indústria de aço no século XIX e chegou a ser o homem mais rico do mundo na época.

O artigo, publicado no site da revista Época Negócios, é mais uma das listas com “receitas de bolo” que lemos ou escrevemos cotidianamente, com passos para o sucesso nos negócios, para a vida feliz, para vender mais ou ser mais produtivo. Em geral, são muito práticas porque nos permitem fazer uma leitura dinâmica, indo direto aos itens que mais nos interessam. Excelentes referências que nos ajudam a obter sucesso no que pretendemos alcançar, certo?

Conheça os Filósofos da Internet

Não é o que pensam alguns dos principais intelectuais da atualidade no Brasil que se tornaram, graças aos canais da internet, grandes fenômenos de popularidade, traduzindo complexos conceitos da filosofia e da história para milhares de internautas. Leandro Karnal, Mário Sérgio Cortella e Clóvis de Barros Filho são professores universitários de formação, empenhados em tornar a filosofia acessível aos leigos, sem transformá-la em produto pasteurizado.

Além das centenas de vídeos no Youtube, inúmeros livros publicados e legiões de fãs e seguidores nas redes sociais, eles têm em comum o jeito irônico e bem-humorado de democratizar o conhecimento filosófico, antes restrito a uma pequena parcela da população. Tratam com descontração assuntos como ética, democracia, religiosidade, felicidade e morte.

Esses pensadores compartilham também a determinação em desconstruir o senso comum, as fórmulas prontas ou “receitas de bolo” padronizadas. Combatem a autoajuda, ou o que chamam de “filosofia de livraria de aeroporto”, que, na opinião deles, pasteuriza as soluções para a vida, a felicidade, o sucesso nos negócios, como se uma única receita pudesse ser adotada por todos, sem levar em conta as peculiaridades de cada indivíduo. Mas o que esses nomes da nova filosofia na internet têm a ensinar para uma vida boa, que pode refletir nos negócios?

Fontes de conhecimento crítico

“Estamos gritando desesperadamente para sermos observados, pois nos sentimos muito solitários”. A frase ilustra um pouco do pensamento do historiador e professor Leandro Karnal, especialista em histórica da América. Profundo estudioso de autores clássicos como William Shakespeare, ele recorre a seus personagens para criticar a obsessão contemporânea pela visibilidade momentânea e pelo compartilhamento da futilidade, como a prática de posts nas redes sociais como: “almocei, está sol aqui, kkkk…”

“Ao escrever, ao dar aula, gosto de dizer coisas que tirem as pessoas das zonas de conforto mentais. Gosto de desinstalar as pessoas, pois acredito muito nessa transformação”, diz o historiador, que tem como um dos principais conteúdos de suas palestras o incentivo ao interesse pelos grandes autores da literatura clássica, como Shakespeare e Dostoiévski, como fonte de conhecimento crítico para a vida e para pensar melhor.

“Quando indico que as pessoas escutem uma ópera ou leiam um livro, tento chamar a atenção para reflexões que a televisão e os jornais não chamam, para que formulem seus próprios conceitos e busquem embasamento para eles”, acrescenta Karnal. Nesse sentido, ele procura despertar nas pessoas o senso do planejamento biográfico, existencial e material para além da vida do curto prazo, movida pelo próximo quinto dia útil, próximas férias ou pelo fim de uma conta a prazo.

Qual é a sua obra?

“Quando o modelo de vida leva a um esgotamento, é fundamental questionar se vale a pena continuar no mesmo caminho”. Para o educador e filósofo Mario Sergio Cortella, pensar a partir dos questionamentos que a filosofia provoca ajuda as pessoas na imprescindível tarefa de buscar diferentes caminhos, seja para a vida ou para os negócios.

Com palestras como Se você não existisse, que falta faria? e Qual é a sua obra?, ele aborda a necessidade de propósito para a vida e o trabalho, a partir de uma perspectiva otimista – o que é raro entre os filósofos. “Adoto e defendo uma postura otimista porque acho que todo o otimista é um realista compromissado, que tem muito mais trabalho porque precisa ir atrás. O pessimista, por outro lado, é um desistente, que se senta e espera dar errado”, observa.

Ao mesmo tempo em que trata de propósito com firmeza, Cortella critica vorazmente a busca imediatista por resultados, fruto de uma rarefação da ideia de esforço na nova geração, com uma percepção imediatizada da satisfação das necessidades. “No dia a dia, a maioria das pessoas se dizem empenhadas em construir um grande legado, mas ficam imaginando esse legado como algo imediato”, complementa o filósofo.

A vida que vale a pena ser vivida

“A vida é uma sequência de encontros inéditos com o mundo e, portanto, ela não se deixa traduzir em fórmulas de nenhuma espécie”. Difusor de filósofos tidos como marginais, como Epicuro, Spinoza e Nietzsche, o jornalista, advogado, filósofo e professor Clóvis de Barros Filho utiliza-se de exemplos do cotidiano para traduzir conceitos dos filósofos mais complexos da história, construindo sentenças como “A segunda pamonha jamais terá o mesmo sabor da primeira.”

Ao tratar de felicidade, um de seus temas prediletos, ele aponta duas perspectivas: a felicidade como reconciliação com o mundo como ele é, de amor pelas coisas como elas são. A felicidade pode ser um momento de reconciliação com o mundo e intensa harmonia com as coisas como elas são, e isso é um tipo de sabedoria”, diz. Outra concepção é a de que a felicidade implica em um engajamento para mudar as coisas, aproximar o mundo de uma idealidade. “Nesse caso, ela seria não mais uma reconciliação, mas um processo revolucionário”, acrescenta.

Outro de seus temas é o combate ao senso comum da autoajuda, que, segundo ele teria a pretensão de entregar fórmulas e respostas prontas. “Se a autoajuda respeitasse o que quer dizer, ou seja, cada um refletindo sobre como viver melhor, teríamos um ganho de lucidez. Mas geralmente ela se limita a dicas e conselhos empobrecedores. Não é porque alguém se deu bem fazendo alguma coisa que essa mesma coisa se aplica a outras pessoas”, analisa o professor.

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