Empreendedorismo

07 agosto, 2020 • Empreendedorismo

Pais, filhos e negócios: os desafios e valores entre gerações de empreendedores

Eles são fontes de amor, carinho, exemplo e, com o passar do tempo, a admiração pode crescer tanto que se tornam também referências profissionais. Principalmente quando falamos de pais empreendedores. Para os filhos, seja por opção ou necessidade, continuar o legado dos negócios em família, de forma afetiva e responsável, é um desafio quase inevitável.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), 90% das empresas no Brasil seguem o modelo familiar. São elas as responsáveis pela produção de 65% do Produto Interno Bruto (PIB) e dispõem cerca de 75% da força de trabalho do País.

Na prática, apesar da confiança entre os envolvidos, diversos conflitos internos na questão de processos, gerência, dinâmica e até no relacionamento pessoal entre pais e filhos podem acontecer, trazendo aprendizados que podem ser usados como vantagens competitivas. Por isso, em homenagem ao Dia dos Pais, comemorado no próximo domingo (9), trouxemos dois cases de sucesso para provar que a diferença de gerações pode ser, sim, utilizada como um fator de crescimento para a empresa. Continue lendo!

De pai para filho e neta

Mesmo sendo maioria, grande parte das empresas familiares não conseguem permanecer ativas por muito tempo — 70% não sobrevivem à geração do fundador e apenas 5% chegam à terceira geração. Um desses exemplos é o caso das fazendas de pecuária de corte da família Perondi nos municípios de Ribas do Rio Pardo e Jaraguari. Fundadas por Olimpio Perondi, 93, hoje elas são administradas pelo filho, Nelson Perondi, 70, com o apoio da neta, Tábitha Perondi, 28.

A ideia da sucessão veio há 12 anos, quando Olimpio convidou Nelson para ajudá-lo em algumas atividades. Depois, com a formatura de Tábitha em Medicina Veterinária, em 2015, a continuação aconteceu de forma espontânea, sem um pedido formal por parte do avô. “Quando vi, já estava indo todos os dias para as fazendas e, como sempre amei a área, acabei ficando com ele. Nossa relação também sempre foi muito boa, assim como a dele com o meu avô. Acho que isso só solidificou essa parceria”, conta Tábitha, responsável pelo atendimento dos animais e gestão das propriedades.

Até a escolha da profissão foi por influência das gerações anteriores. O respeito e o interesse pelo cuidado com a natureza observados enquanto acompanhava o pai no campo fizeram com que Tábitha não duvidasse da escolha de seguir a área Veterinária desde os oito anos de idade.

Contudo conciliar ideias de três vivências diferentes nem sempre é uma tarefa fácil. “O maior desafio que temos é a inovação, a divergência de ideias. Meu avô e meu pai trabalham com pecuária há mais de 40 anos. Lá atrás, as coisas eram muito diferentes. O que funcionava naquela época não é mais tão rentável, e mudar o pensamento deles, na minha opinião, é o maior desafio que temos”. O segredo para resolver essa situação? Paciência e cautela nas escolhas tecnológicas. “Muitas vezes, minha ansiedade em inovar me levou a caminhos não tão seguros. Eles me ensinaram e ensinam muito sobre paciência e sobre como tudo tem o tempo certo para acontecer”.

Para ela, poder fazer parte deste trabalho é uma “escola”. “Sempre tem uma troca de ensinamentos. Aprendo algo novo todos os dias com a experiência deles e também posso ensiná-los. Posso dizer que eles são os meus ídolos. São os homens que mais admiro e tenho orgulho de dizer que sou neta e filha deles. Poder estar na pecuária ao lado deles me faz ser muito grata à oportunidade que tenho”, completa.

De repente sócios

No caso de Ivan Reatte, 48, pai de Thamara Reatte, 26, dividir a gestão do negócio não foi algo planejado desde sempre. “O processo foi natural. A empresa possuía algumas demandas que se encaixavam com o perfil profissional da Thamara. Foi assim, primeiro de forma pontual, até chegarmos à conclusão de que seria melhor que determinados processos ficassem sob sua responsabilidade”, explica Ivan. Juntos, atualmente eles gerenciam a Labareda, a primeira Boutique Sensual de Mato Grosso do Sul.

“Não foi uma decisão racional da minha parte. Eu cresci vendo o meu pai enfrentando jornadas duplas, às vezes triplas, para sustentar nossa família. A admiração e o respeito sempre foram enormes. Quando dei por mim, estava aprendendo mais com ele no dia a dia do que no banco da faculdade. Deixar o meu emprego de cerimonialista, aos 19 anos, para me dedicar à gestão da Labareda foi a coisa mais natural a se fazer”, relembra Thamara.

Em sete anos de trabalho em família, embora tenha aplicado diversas atualizações e novos conceitos, a maior dificuldade para ela foi encontrar a própria voz nas decisões administrativas. “Por sentir que estava em constante aprendizado e ter muito respeito pelo Ivan, demorei bastante tempo para entender que numa parceria, seja ela profissional ou pessoal, todos os lados têm o direito e dever de dar ‘pitacos’. É isso que faz o processo acontecer – essa soma de experiências e visões diferentes. Hoje nossas trocas são mais leves e produtivas”.

Outro ponto importante para a saúde da relação dos dois e para o sucedimento da empresa foi saber separar os papéis de cada um (como pai, filha e sócios) e as necessidades profissionais das pessoais. “Quando tratamos de negócios, eu só o chamo pelo primeiro nome. Foi a forma que encontrei para não trazer os conflitos profissionais para a nossa relação familiar. Porque, no fim do dia, não importa se o fornecedor atrasou, se o deadline estourou ou qualquer outro problema… A relação com o meu pai é muito maior e mais importante que tudo isso”.

Eles são fontes de amor, carinho, exemplo e, com o passar do tempo, a admiração pode crescer tanto que se tornam também referências profissionais. Principalmente quando falamos de pais empreendedores. Para os filhos, seja por opção ou necessidade, continuar o legado dos negócios em família, de forma afetiva e responsável, é um desafio quase inevitável.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), 90% das empresas no Brasil seguem o modelo familiar. São elas as responsáveis pela produção de 65% do Produto Interno Bruto (PIB) e dispõem cerca de 75% da força de trabalho do País.

Na prática, apesar da confiança entre os envolvidos, diversos conflitos internos na questão de processos, gerência, dinâmica e até no relacionamento pessoal entre pais e filhos podem acontecer, trazendo aprendizados que podem ser usados como vantagens competitivas. Por isso, em homenagem ao Dia dos Pais, comemorado no próximo domingo (9), trouxemos dois cases de sucesso para provar que a diferença de gerações pode ser, sim, utilizada como um fator de crescimento para a empresa. Continue lendo!

De pai para filho e neta

Mesmo sendo maioria, grande parte das empresas familiares não conseguem permanecer ativas por muito tempo — 70% não sobrevivem à geração do fundador e apenas 5% chegam à terceira geração. Um desses exemplos é o caso das fazendas de pecuária de corte da família Perondi nos municípios de Ribas do Rio Pardo e Jaraguari. Fundadas por Olimpio Perondi, 93, hoje elas são administradas pelo filho, Nelson Perondi, 70, com o apoio da neta, Tábitha Perondi, 28.

A ideia da sucessão veio há 12 anos, quando Olimpio convidou Nelson para ajudá-lo em algumas atividades. Depois, com a formatura de Tábitha em Medicina Veterinária, em 2015, a continuação aconteceu de forma espontânea, sem um pedido formal por parte do avô. “Quando vi, já estava indo todos os dias para as fazendas e, como sempre amei a área, acabei ficando com ele. Nossa relação também sempre foi muito boa, assim como a dele com o meu avô. Acho que isso só solidificou essa parceria”, conta Tábitha, responsável pelo atendimento dos animais e gestão das propriedades.

Até a escolha da profissão foi por influência das gerações anteriores. O respeito e o interesse pelo cuidado com a natureza observados enquanto acompanhava o pai no campo fizeram com que Tábitha não duvidasse da escolha de seguir a área Veterinária desde os oito anos de idade.

Contudo conciliar ideias de três vivências diferentes nem sempre é uma tarefa fácil. “O maior desafio que temos é a inovação, a divergência de ideias. Meu avô e meu pai trabalham com pecuária há mais de 40 anos. Lá atrás, as coisas eram muito diferentes. O que funcionava naquela época não é mais tão rentável, e mudar o pensamento deles, na minha opinião, é o maior desafio que temos”. O segredo para resolver essa situação? Paciência e cautela nas escolhas tecnológicas. “Muitas vezes, minha ansiedade em inovar me levou a caminhos não tão seguros. Eles me ensinaram e ensinam muito sobre paciência e sobre como tudo tem o tempo certo para acontecer”.

Para ela, poder fazer parte deste trabalho é uma “escola”. “Sempre tem uma troca de ensinamentos. Aprendo algo novo todos os dias com a experiência deles e também posso ensiná-los. Posso dizer que eles são os meus ídolos. São os homens que mais admiro e tenho orgulho de dizer que sou neta e filha deles. Poder estar na pecuária ao lado deles me faz ser muito grata à oportunidade que tenho”, completa.

De repente sócios

No caso de Ivan Reatte, 48, pai de Thamara Reatte, 26, dividir a gestão do negócio não foi algo planejado desde sempre. “O processo foi natural. A empresa possuía algumas demandas que se encaixavam com o perfil profissional da Thamara. Foi assim, primeiro de forma pontual, até chegarmos à conclusão de que seria melhor que determinados processos ficassem sob sua responsabilidade”, explica Ivan. Juntos, atualmente eles gerenciam a Labareda, a primeira Boutique Sensual de Mato Grosso do Sul.

“Não foi uma decisão racional da minha parte. Eu cresci vendo o meu pai enfrentando jornadas duplas, às vezes triplas, para sustentar nossa família. A admiração e o respeito sempre foram enormes. Quando dei por mim, estava aprendendo mais com ele no dia a dia do que no banco da faculdade. Deixar o meu emprego de cerimonialista, aos 19 anos, para me dedicar à gestão da Labareda foi a coisa mais natural a se fazer”, relembra Thamara.

Em sete anos de trabalho em família, embora tenha aplicado diversas atualizações e novos conceitos, a maior dificuldade para ela foi encontrar a própria voz nas decisões administrativas. “Por sentir que estava em constante aprendizado e ter muito respeito pelo Ivan, demorei bastante tempo para entender que numa parceria, seja ela profissional ou pessoal, todos os lados têm o direito e dever de dar ‘pitacos’. É isso que faz o processo acontecer – essa soma de experiências e visões diferentes. Hoje nossas trocas são mais leves e produtivas”.

Outro ponto importante para a saúde da relação dos dois e para o sucedimento da empresa foi saber separar os papéis de cada um (como pai, filha e sócios) e as necessidades profissionais das pessoais. “Quando tratamos de negócios, eu só o chamo pelo primeiro nome. Foi a forma que encontrei para não trazer os conflitos profissionais para a nossa relação familiar. Porque, no fim do dia, não importa se o fornecedor atrasou, se o deadline estourou ou qualquer outro problema… A relação com o meu pai é muito maior e mais importante que tudo isso”.


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