Empreendedorismo

21 setembro, 2020 • Empreendedorismo

Pandemia e os desafios da logística para empreendedores durante a quarentena

Desde março deste ano, a pandemia do coronavírus vem modificando modelos de trabalho, de relações e, principalmente, de consumo. Com o fechamento de lojas para o atendimento a clientes, medidas de distanciamento e protocolos de funcionamento a serem seguidos, empreendedores tiveram que buscar novas alternativas de continuarem suas vendas e, principalmente, de fazer com que elas continuassem chegando ao consumidor por meio de boas estratégias de logística.

Esse foi um dos setores que não só precisou manter suas atividades (seguindo todas as normas de segurança) por ser considerado essencial, como sofreu diversos impactos com o aumento das demandas. Para o professor e mestre em administração Paulo do Valle, houveram tanto repercussões prejudiciais quanto benéficas.

“A logística, que é uma ferramenta de gestão, inicia na produção da matéria-prima até o cliente final. No primeiro momento, precisou se adaptar ao novo cenário, pois tivemos ausência de matéria-prima em alguns setores tecnológicos (provenientes da China, onde começou a pandemia). Um outro efeito, mas dessa vez positivo, foi o ajuste da indústria nacional no caso de brinquedos (com mais crianças em casa) e no setor de alimentos (nos almoços em casa por entrega)”.

A vez dos aplicativos de entrega

O segmento da logística que mais cresceu na quarentena foi o de delivery, utilizado para entregas de refeições, medicamentos, livros e vestuário em geral. De acordo com uma pesquisa realizada pela empresa Mobills, startup de gestão de finanças pessoais, os gastos com os principais aplicativos do ramo (Rappi, iFood, e Uber Eats) tiveram um aumento de 103% no primeiro semestre de 2020.

“Foi uma mudança rápida no formato. As empresas que perceberam a necessidade de mudança saíram na frente, mantendo o funcionamento do negócio, mesmo que tenham diminuído o quadro de empregados no começo”, explica Paulo.

Um destes exemplos é o Poiá Espeto Gourmet, que fechou uma de suas unidades temporariamente e investiu no serviço de almoço pelo delivery neste período. Fernando Silveira, um dos sócios do restaurante, afirma que o número de pedidos triplicou de volume, mesmo com as unidades fechadas durante o lockdown ou operando com horário reduzido devido aos decretos do toque de recolher na Capital.

“Antes o funcionamento era de segunda a sábado, à noite. Eu comecei a abrir todos os dias no almoço e descobri que o dia que mais vende delivery, mais do que todos os dias à noite, é domingo, no horário de almoço. Eu não sabia disso porque não abria, só abria de noite”, conta. No começo, essas operações contavam com uma equipe reduzida, formada apenas por uma cozinheira, uma atendente e ele mesmo nos cuidados com os espetos. Atualmente, os finais de semana já demandam dois churrasqueiros para atender aos pedidos.

Na opinião dele, esse sucesso é resultado da credibilidade que a marca vem construindo desde 2015. “Eu percebi que o pessoal começou a pedir delivery naqueles lugares que eles mais confiavam, porque é uma pandemia, envolve uma doença… O pessoal tinha que confiar no produto. Então começaram a pedir bastante do Poiá”. Hoje a empresa possui seis unidades em Campo Grande, Cuiabá, Bauru e Sorocaba.

Apesar do retorno do atendimento presencial, Fernando afirma que os pedidos no delivery continuam normalmente. “Muita gente conheceu o delivery, muita gente ainda pede e o presencial já tá entrando na normalidade. Está um movimento muito bom, estamos bastante satisfeitos e o delivery continua aquecido. Aumentei a minha operação e o faturamento subiu bastante, mas não por conta do movimento, e sim por causa dessa operação a mais. Nunca mais eu fecho!”.

A importância do e-commerce

Com o fechamento das lojas, não foram só os aplicativos que ganharam destaque. Manter uma loja virtual própria e investir em outros formatos de transporte foram atitudes fundamentais para algumas empresas. Um estudo realizado pela Compre & Confie mostrou que o número de pedidos on-line em maio deste ano aumentou 132,8% em relação ao mesmo período de 2019.

No caso da Tereré Shop, que existe há 12 anos em Campo Grande e vende ervas de tereré, garrafas e acessórios, a pandemia fez com que a loja física fechasse por 15 dias, afetando diretamente no faturamento. “As vendas ficaram praticamente zeradas. Tivemos algumas vendas via delivery, mas não tínhamos uma empresa que fizesse entrega para nós, não tínhamos uma estratégia, então nós aperfeiçoamos isso aí”, diz Antonio Branco Filho, proprietário da marca.

Com isso, uma das alternativas para manter o rendimento foi retomar as atividades virtuais, além de estar presente nas principais plataformas de delivery. “Nosso site já foi forte, daí de uns cinco anos para cá ele deu uma decaída devido à quantidade de lojas que foram abrindo no mesmo segmento que o nosso. Só que como nós já estávamos estruturados, com contratos com Correios e transportadoras, nosso e-commerce fortaleceu um pouco mais. Agora está voltando a ser o que era há alguns anos, mas isso por conta da nossa estrutura e know-how no ramo”.

A relação entre as marcas e fornecedores também foi impactada. Antonio relata que, como a maior parte dos produtos vem dos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, alguns pedidos para repor seus estoques demoraram até meses para chegar. “Isso atrapalhou bastante. Mas como janeiro e fevereiro são um período de alta, nós tínhamos produtos no estoque. Quando veio a pandemia, pudemos aguentar por mais uns três meses”.

O administrador Paulo do Valle explica que as empresas tiveram que se adaptar por questão de sobrevivência ao novo mercado, e algumas não tiveram tempo ou condições tecnológicas para as mudanças que ocorreram rapidamente. “O mercado funciona assim mesmo e não é de hoje que se faz os alertas. Quando a pandemia diminuir os impactos, o mercado será outro, um misto do que era e do que está ocorrendo hoje. Foi preciso ter o choque para entender que dá para fazer diferente e isso é muito bom, pois há o crescimento técnico do empreendedor. Nos dias de hoje não se aplica mais os murmúrios do passado, pois as inovações e mudanças são diárias”, comenta.

Desde março deste ano, a pandemia do coronavírus vem modificando modelos de trabalho, de relações e, principalmente, de consumo. Com o fechamento de lojas para o atendimento a clientes, medidas de distanciamento e protocolos de funcionamento a serem seguidos, empreendedores tiveram que buscar novas alternativas de continuarem suas vendas e, principalmente, de fazer com que elas continuassem chegando ao consumidor por meio de boas estratégias de logística.

Esse foi um dos setores que não só precisou manter suas atividades (seguindo todas as normas de segurança) por ser considerado essencial, como sofreu diversos impactos com o aumento das demandas. Para o professor e mestre em administração Paulo do Valle, houveram tanto repercussões prejudiciais quanto benéficas.

“A logística, que é uma ferramenta de gestão, inicia na produção da matéria-prima até o cliente final. No primeiro momento, precisou se adaptar ao novo cenário, pois tivemos ausência de matéria-prima em alguns setores tecnológicos (provenientes da China, onde começou a pandemia). Um outro efeito, mas dessa vez positivo, foi o ajuste da indústria nacional no caso de brinquedos (com mais crianças em casa) e no setor de alimentos (nos almoços em casa por entrega)”.

A vez dos aplicativos de entrega

O segmento da logística que mais cresceu na quarentena foi o de delivery, utilizado para entregas de refeições, medicamentos, livros e vestuário em geral. De acordo com uma pesquisa realizada pela empresa Mobills, startup de gestão de finanças pessoais, os gastos com os principais aplicativos do ramo (Rappi, iFood, e Uber Eats) tiveram um aumento de 103% no primeiro semestre de 2020.

“Foi uma mudança rápida no formato. As empresas que perceberam a necessidade de mudança saíram na frente, mantendo o funcionamento do negócio, mesmo que tenham diminuído o quadro de empregados no começo”, explica Paulo.

Um destes exemplos é o Poiá Espeto Gourmet, que fechou uma de suas unidades temporariamente e investiu no serviço de almoço pelo delivery neste período. Fernando Silveira, um dos sócios do restaurante, afirma que o número de pedidos triplicou de volume, mesmo com as unidades fechadas durante o lockdown ou operando com horário reduzido devido aos decretos do toque de recolher na Capital.

“Antes o funcionamento era de segunda a sábado, à noite. Eu comecei a abrir todos os dias no almoço e descobri que o dia que mais vende delivery, mais do que todos os dias à noite, é domingo, no horário de almoço. Eu não sabia disso porque não abria, só abria de noite”, conta. No começo, essas operações contavam com uma equipe reduzida, formada apenas por uma cozinheira, uma atendente e ele mesmo nos cuidados com os espetos. Atualmente, os finais de semana já demandam dois churrasqueiros para atender aos pedidos.

Na opinião dele, esse sucesso é resultado da credibilidade que a marca vem construindo desde 2015. “Eu percebi que o pessoal começou a pedir delivery naqueles lugares que eles mais confiavam, porque é uma pandemia, envolve uma doença… O pessoal tinha que confiar no produto. Então começaram a pedir bastante do Poiá”. Hoje a empresa possui seis unidades em Campo Grande, Cuiabá, Bauru e Sorocaba.

Apesar do retorno do atendimento presencial, Fernando afirma que os pedidos no delivery continuam normalmente. “Muita gente conheceu o delivery, muita gente ainda pede e o presencial já tá entrando na normalidade. Está um movimento muito bom, estamos bastante satisfeitos e o delivery continua aquecido. Aumentei a minha operação e o faturamento subiu bastante, mas não por conta do movimento, e sim por causa dessa operação a mais. Nunca mais eu fecho!”.

A importância do e-commerce

Com o fechamento das lojas, não foram só os aplicativos que ganharam destaque. Manter uma loja virtual própria e investir em outros formatos de transporte foram atitudes fundamentais para algumas empresas. Um estudo realizado pela Compre & Confie mostrou que o número de pedidos on-line em maio deste ano aumentou 132,8% em relação ao mesmo período de 2019.

No caso da Tereré Shop, que existe há 12 anos em Campo Grande e vende ervas de tereré, garrafas e acessórios, a pandemia fez com que a loja física fechasse por 15 dias, afetando diretamente no faturamento. “As vendas ficaram praticamente zeradas. Tivemos algumas vendas via delivery, mas não tínhamos uma empresa que fizesse entrega para nós, não tínhamos uma estratégia, então nós aperfeiçoamos isso aí”, diz Antonio Branco Filho, proprietário da marca.

Com isso, uma das alternativas para manter o rendimento foi retomar as atividades virtuais, além de estar presente nas principais plataformas de delivery. “Nosso site já foi forte, daí de uns cinco anos para cá ele deu uma decaída devido à quantidade de lojas que foram abrindo no mesmo segmento que o nosso. Só que como nós já estávamos estruturados, com contratos com Correios e transportadoras, nosso e-commerce fortaleceu um pouco mais. Agora está voltando a ser o que era há alguns anos, mas isso por conta da nossa estrutura e know-how no ramo”.

A relação entre as marcas e fornecedores também foi impactada. Antonio relata que, como a maior parte dos produtos vem dos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, alguns pedidos para repor seus estoques demoraram até meses para chegar. “Isso atrapalhou bastante. Mas como janeiro e fevereiro são um período de alta, nós tínhamos produtos no estoque. Quando veio a pandemia, pudemos aguentar por mais uns três meses”.

O administrador Paulo do Valle explica que as empresas tiveram que se adaptar por questão de sobrevivência ao novo mercado, e algumas não tiveram tempo ou condições tecnológicas para as mudanças que ocorreram rapidamente. “O mercado funciona assim mesmo e não é de hoje que se faz os alertas. Quando a pandemia diminuir os impactos, o mercado será outro, um misto do que era e do que está ocorrendo hoje. Foi preciso ter o choque para entender que dá para fazer diferente e isso é muito bom, pois há o crescimento técnico do empreendedor. Nos dias de hoje não se aplica mais os murmúrios do passado, pois as inovações e mudanças são diárias”, comenta.


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