Dicas de Empreendedorismo

Hortas com histórias para contar

Cada vez mais pessoas têm buscado alternativas saudáveis para colocar no prato, o que aumenta dia após dia a busca por alimentos orgânicos. Muito além de ser um modismo, consumir orgânicos transformou-se em um estilo de vida, adotado principalmente por pessoas que, pensando na saúde, declinam o uso de alimentos que utilizem agrotóxicos sintéticos ou fertilizantes em seu cultivo.

Com isso, o número de hortas orgânicas tem crescido pelo país. Segundo o Conselho Nacional da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), o Brasil tem hoje cerca de 15.500 unidades produtivas de orgânicos, constituídas por produtores e empreendedores individuais, cooperativas, unidades de produção associativas e empresas de processamento e industrialização de produtos.

Em Campo Grande, desde 2009, a praça do Rádio Clube, na região central da cidade, recebe todas as quartas-feiras de manhã, uma Feira de Orgânicos,  parceria dos governos municipal e estadual que facilita a vida dos consumidores e estimula a agricultura familiar.

Mas não é apenas lá que os campo-grandenses podem encontrar suas hortaliças, frutas e verduras orgânicas. Estima-se, segundo o Agraer MS (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural)  que existam 62 produtores trabalhando com alimentos orgânicos na Capital.

Um deles é o agricultor Luiz Carlos Cobalchini, que, desde 2014, é um dos parceiros à frente da horta Orgânicos Terra Viva, produzindo diversos tipos de hortaliças, cenoura, beterraba, quiabo, berinjela, jiló, vagem, inhame, repolho e muito mais.

“É um trabalho que exige muita dedicação e o cuidado  permanente do produtor, de domingo a domingo. Fazemos uso do que chamamos de  tecnologia da presença, observamos, entendemos os ciclos das plantas e respeitamos o ecossistema como um todo”, explica.

Mais do que apenas não fazer uso de agrotóxicos sintéticos e outras substâncias nocivas à saúde das pessoas, é permitir que a natureza siga seu curso natural. Assim, insetos como aranhas, por exemplo, continuam a conviver tranquilamente entre as hortaliças, de forma harmônica.

Luiz comercializa seus produtos em duas feiras, todas as semanas: na Feira do Peixe às terças-feiras e na Feira Livre de seu bairro, o Rita Vieira. “É a única feira livre da cidade com um produtor de orgânicos. Fazemos questão de participar e, assim, poder beneficiar a nossa própria comunidade”, conta.

Tão apaixonada pelo cultivo quanto Luiz, a empresária Márcia Chiad é responsável por um dos cantinhos verdes mais conhecidos da cidade, o Recanto das Ervas. Jornalista de formação, sua relação com as hortas vem desde a infância, quando morava em uma chácara urbana com seus pais. “Sempre plantamos alface, salsinha e cebolinha em casa. Nunca fomos em mercado comprar, sempre colhíamos fresco do quintal de casa”, conta. hortas

Quando decidiu deixar para trás a profissão, ter sua própria horta em casa, hábito que Márcia cultivou com os anos, evoluiu de apenas um hobby para um negócio de verdade. O Recanto das Ervas era uma chácara com canteiros de plantas e ervas medicinais, onde vendia as mudas e também aproveitava o espaço para dar cursos, ensinando as pessoas a cultivarem suas próprias hortas em casa.

De lá para o restaurante Recanto das Ervas foi consequência. Além de servir pratos saudáveis, no mesmo espaço, estão à disposição, diversas ervas e plantas que os consumidores podem levar para plantar em casa. Para abastecer o restaurante, Márcia inaugurou um novo projeto, o Canteiros do Recanto, um local onde são plantados vários dos ingredientes necessários para a cozinha. “Além de nos tornarmos autossuficientes em vários produtos que precisamos, temos certeza da procedência do produto que servimos. Sabemos que ele é realmente orgânico, pois seu cultivo foi feito 100% por nós, até a colheita e o transporte”, afirma.

O Canteiros do Recanto tem também um propósito muito positivo para a sociedade, uma vez que o local serve de palco para cursos de formação oferecidos por Marcia e outros parceiros, como oficinas de plantio para adultos e crianças que, muitas vezes, tiveram pouco ou nenhum contato com o campo.

Negócio de família

O agricultor Raimundo Gomes da Silva é um homem do campo desde que se entende por gente. Criança já acompanhava os pais na “lida” e hoje, aos 58 anos, está à frente de uma das maiores hortas orgânicas da cidade. Entre canteiros de rúcula, coentro, alface e couve, criou seus filhos que hoje o acompanham no negócio, expandindo a horta para um viveiro de mudas e também para o cultivo em hidroponia, um método no qual as raízes das plantas estão dentro da água.

Raimundo explica que sua horta, que já está há 26 anos no mesmo local, é agroecológica, ou seja, é ecologicamente correta e livre de agrotóxicos. “Aqui é tudo natural, com matinho em torno das plantas e tudo mais”, garante.

As hortaliças de Raimundo são vendidas no sacolão de sua horta, que é administrada por uma das noras, mas ele também distribui os produtos para mercados e restaurantes da cidade, além de abastecer um dos estandes do CEASA. “Trabalhamos todos juntos, em família,  e acredito que esse seja um dos grandes segredos da nossa boa produção”, conta o agricultor, reforçando a ideia de que a agricultura familiar pode trazer muitos benefícios para a sociedade.

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