Planejamento Estratégico

04 outubro, 2016 • Planejamento Estratégico

Marketing Digital: Por onde começo?

Mais do que manter perfis atualizados nas redes sociais, investir em marketing digital requer mão de obra especializada e produção de conteúdo segmentado e interessante para o consumidor em potencial.


sebrae-pauta-9-marketing-digital


O turismólogo João Felipe Costa Rodrigues, 38 anos, é proprietário de duas empresas em Campo Grande. A iTravel Agência de Viagens está no mercado há dois anos e a Help Festas Conveniência há apenas seis meses. Nos dois casos, ele diz que o investimento no ambiente online e no marketing digital é a principal estratégia para atrair clientes para seus serviços e produtos.

“Recentemente resolvi divulgar na internet a promoção de uma cerveja importada. Utilizando apenas o Facebook e o WhatsApp, vendi 140 caixas da cerveja em menos de 48 horas. As pessoas vieram de vários bairros e meu produto se esgotou em dois dias”, relata João, enfatizando que jamais teria o mesmo resultado, com o mesmo investimento, não fosse a internet como mídia.

Em 2009, o engenheiro eletrônico e escritor Cláudio Torres publicou uma obra ambiciosa intitulada “A Bíblia do Marketing Digital”, em que afirmou: “Usar a internet nos negócios não é mais uma questão de escolha: é uma questão de sobrevivência. O problema é que a maioria das pessoas e empresas ainda não entendeu como utilizar a internet nos negócios”.

Naquela época, a rede social mais popular ainda era o Orkut, os smartphones eram objetos de luxo no Brasil e WhatsApp e Snapchat não estavam nem em projeto. Mesmo após todos esses anos, ambas as afirmações se mantêm válidas. Usar a internet para vender é imperativo, mas especialistas advertem que essa tarefa não é tão simples, mesmo sendo as redes sociais atualmente tão acessíveis e presentes na vida de quem vende e de quem compra.

“O importante é o empresário ter a consciência de que fazer marketing digital não é possuir um perfil atualizado no Facebook e no Instagram. É uma estratégia muito maior e mais complexa, que exige muito conhecimento dos conceitos, das ferramentas e, principalmente, do público com quem ele se comunica”, afirma o empresário e professor Estevão Rizzo, especialista no tema.

Conteúdo segmentado

Há cerca de três meses, Fernanda Marques, 30 anos, abriu a Sacramento Cervejaria, oferecendo marcas especiais de cerveja e “culinária afetiva, ou comida da avó”, como ela descreve, numa casa antiga e rústica no centro de Campo Grande. Para divulgar as atrações que vão de coxinha de rabada a cerveja belga, ela e a sócia Nayara da Rosa adotam desde o início estratégias de marketing digital. “É o único canal que usamos e os resultados têm sido impressionantes”, diz Fernanda.

No entanto, como a própria comerciante reconhece, os resultados não surpreendem por acaso. Além da atratividade do serviço oferecido, as sócias buscaram o caminho mais indicado pelos especialistas: contrataram um profissional especializado na área. “Depois de muita pesquisa, ele produz conteúdo específico para o nosso público, buscando despertar o interesse e a curiosidade”, descreve.

Na opinião do empresário Kenneth Corrêa, também especialista no assunto, o caminho adotado por Fernanda e Nayara certamente é o mais adequado para as pequenas e grandes empresas que querem investir nas redes sociais e no marketing digital: buscar mão de obra especializada, ao invés de tentar cuidar da imagem da empresa nas redes sociais por conta própria, e então traçar uma estratégia focada em produção de conteúdo segmentado, que ofereça informação interessante ao consumidor em potencial.

“No modelo clássico, fazíamos marketing invasivo, interruptivo. Hoje, o próprio marketing pode ser feito como conteúdo para atrair as pessoas e não para interromper o que elas estão fazendo”, afirma Kenneth, acrescentando: “Minha dica é que o empresário busque alguém que produza o melhor conteúdo possível em texto, foto e vídeo, pois isso vai criar o senso de comunidade e a identificação, para só depois falar de produto ou de promoção”.

Jornada de compra

Na avaliação de Estevão, também é importante ter em mente que a clássica divisão entre marketing “tradicional” e digital está acabando. Dessa forma, é cada vez mais necessário entender o público que se pretende impactar e qual a sua jornada de compra. “Isto é, qual o caminho que o consumidor faz da hora em que sentiu a necessidade de adquirir um produto ou serviço até o momento em que efetiva a compra”, acrescenta.

O especialista observa que a jornada de compra pode começar na cozinha de casa do consumidor, no momento em que acaba o café, ou dentro de uma loja, quando ele vê pela primeira vez a incrível resolução de um novo modelo de TV, por exemplo. “O que importa é entender como conseguir impactar esse potencial cliente com a sua marca em todos esses importantes momentos”, observa.

A internet assume então um papel fundamental, de acordo com Estevão, porque cada vez mais o consumidor começa a sua jornada de compra buscando informações na internet. “Terá vantagem a empresa que produzir mais conteúdo relevante”, pontua. “Portanto, seja criativo para falar algo que só a sua marca pode dizer, para gerar um valor que só ela pode fazer”, complementa Kenneth.

Então, por onde começar?

Vale reforçar: fazer marketing digital não é sair postando fotos de comidas apetitosas ou anunciando promoção de produtos por conta própria. “É um trabalho bastante complexo e, para que a estratégia não desperdice a suada verba de marketing, é preciso estudar muito ou contar com profissionais especializados apoiando o empresário nesse momento”, enfatiza Estevão, apontando três caminhos possíveis, suas vantagens e desvantagens:

1. Estruturar uma equipe interna de marketing digital

O investimento só se pagará no longo prazo, mas, se a empresa ‘aguentar’ o tempo necessário, terá a inteligência dentro de casa e o trabalho será bastante personalizado.


2. Contratar um profissional de marketing para gerenciar o trabalho de uma agência de marketing digital.

É mais barato do que a primeira opção, uma parte da inteligência fica dentro de casa e o resultado vem mais rápido, mas a agência não terá tanto envolvimento como uma equipe própria.


3. Contratar uma agência de confiança que responda diretamente ao empresário.

Este é o caminho mais prático, porém mais arriscado. Para funcionar, o empresário precisa conhecer o assunto e a agência deve ser de muita confiança, ou poderá não ter envolvimento com a empresa.


O especialista recomenda o segundo caminho, adotado pela maioria das empresas. “Como o Marketing deve ser a estratégia central de qualquer empresa, é desejável que o empresário e todos os envolvidos com a gestão do negócio estudem muito sobre marketing digital, pois não há receita pronta para o sucesso nesse meio”, conclui.

Para saber mais sobre marketing, procure o Sebrae ou conheça o curso Marketing na Medida.

Mais do que manter perfis atualizados nas redes sociais, investir em marketing digital requer mão de obra especializada e produção de conteúdo segmentado e interessante para o consumidor em potencial.


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O turismólogo João Felipe Costa Rodrigues, 38 anos, é proprietário de duas empresas em Campo Grande. A iTravel Agência de Viagens está no mercado há dois anos e a Help Festas Conveniência há apenas seis meses. Nos dois casos, ele diz que o investimento no ambiente online e no marketing digital é a principal estratégia para atrair clientes para seus serviços e produtos.

“Recentemente resolvi divulgar na internet a promoção de uma cerveja importada. Utilizando apenas o Facebook e o WhatsApp, vendi 140 caixas da cerveja em menos de 48 horas. As pessoas vieram de vários bairros e meu produto se esgotou em dois dias”, relata João, enfatizando que jamais teria o mesmo resultado, com o mesmo investimento, não fosse a internet como mídia.

Em 2009, o engenheiro eletrônico e escritor Cláudio Torres publicou uma obra ambiciosa intitulada “A Bíblia do Marketing Digital”, em que afirmou: “Usar a internet nos negócios não é mais uma questão de escolha: é uma questão de sobrevivência. O problema é que a maioria das pessoas e empresas ainda não entendeu como utilizar a internet nos negócios”.

Naquela época, a rede social mais popular ainda era o Orkut, os smartphones eram objetos de luxo no Brasil e WhatsApp e Snapchat não estavam nem em projeto. Mesmo após todos esses anos, ambas as afirmações se mantêm válidas. Usar a internet para vender é imperativo, mas especialistas advertem que essa tarefa não é tão simples, mesmo sendo as redes sociais atualmente tão acessíveis e presentes na vida de quem vende e de quem compra.

“O importante é o empresário ter a consciência de que fazer marketing digital não é possuir um perfil atualizado no Facebook e no Instagram. É uma estratégia muito maior e mais complexa, que exige muito conhecimento dos conceitos, das ferramentas e, principalmente, do público com quem ele se comunica”, afirma o empresário e professor Estevão Rizzo, especialista no tema.

Conteúdo segmentado

Há cerca de três meses, Fernanda Marques, 30 anos, abriu a Sacramento Cervejaria, oferecendo marcas especiais de cerveja e “culinária afetiva, ou comida da avó”, como ela descreve, numa casa antiga e rústica no centro de Campo Grande. Para divulgar as atrações que vão de coxinha de rabada a cerveja belga, ela e a sócia Nayara da Rosa adotam desde o início estratégias de marketing digital. “É o único canal que usamos e os resultados têm sido impressionantes”, diz Fernanda.

No entanto, como a própria comerciante reconhece, os resultados não surpreendem por acaso. Além da atratividade do serviço oferecido, as sócias buscaram o caminho mais indicado pelos especialistas: contrataram um profissional especializado na área. “Depois de muita pesquisa, ele produz conteúdo específico para o nosso público, buscando despertar o interesse e a curiosidade”, descreve.

Na opinião do empresário Kenneth Corrêa, também especialista no assunto, o caminho adotado por Fernanda e Nayara certamente é o mais adequado para as pequenas e grandes empresas que querem investir nas redes sociais e no marketing digital: buscar mão de obra especializada, ao invés de tentar cuidar da imagem da empresa nas redes sociais por conta própria, e então traçar uma estratégia focada em produção de conteúdo segmentado, que ofereça informação interessante ao consumidor em potencial.

“No modelo clássico, fazíamos marketing invasivo, interruptivo. Hoje, o próprio marketing pode ser feito como conteúdo para atrair as pessoas e não para interromper o que elas estão fazendo”, afirma Kenneth, acrescentando: “Minha dica é que o empresário busque alguém que produza o melhor conteúdo possível em texto, foto e vídeo, pois isso vai criar o senso de comunidade e a identificação, para só depois falar de produto ou de promoção”.

Jornada de compra

Na avaliação de Estevão, também é importante ter em mente que a clássica divisão entre marketing “tradicional” e digital está acabando. Dessa forma, é cada vez mais necessário entender o público que se pretende impactar e qual a sua jornada de compra. “Isto é, qual o caminho que o consumidor faz da hora em que sentiu a necessidade de adquirir um produto ou serviço até o momento em que efetiva a compra”, acrescenta.

O especialista observa que a jornada de compra pode começar na cozinha de casa do consumidor, no momento em que acaba o café, ou dentro de uma loja, quando ele vê pela primeira vez a incrível resolução de um novo modelo de TV, por exemplo. “O que importa é entender como conseguir impactar esse potencial cliente com a sua marca em todos esses importantes momentos”, observa.

A internet assume então um papel fundamental, de acordo com Estevão, porque cada vez mais o consumidor começa a sua jornada de compra buscando informações na internet. “Terá vantagem a empresa que produzir mais conteúdo relevante”, pontua. “Portanto, seja criativo para falar algo que só a sua marca pode dizer, para gerar um valor que só ela pode fazer”, complementa Kenneth.

Então, por onde começar?

Vale reforçar: fazer marketing digital não é sair postando fotos de comidas apetitosas ou anunciando promoção de produtos por conta própria. “É um trabalho bastante complexo e, para que a estratégia não desperdice a suada verba de marketing, é preciso estudar muito ou contar com profissionais especializados apoiando o empresário nesse momento”, enfatiza Estevão, apontando três caminhos possíveis, suas vantagens e desvantagens:

1. Estruturar uma equipe interna de marketing digital

O investimento só se pagará no longo prazo, mas, se a empresa ‘aguentar’ o tempo necessário, terá a inteligência dentro de casa e o trabalho será bastante personalizado.


2. Contratar um profissional de marketing para gerenciar o trabalho de uma agência de marketing digital.

É mais barato do que a primeira opção, uma parte da inteligência fica dentro de casa e o resultado vem mais rápido, mas a agência não terá tanto envolvimento como uma equipe própria.


3. Contratar uma agência de confiança que responda diretamente ao empresário.

Este é o caminho mais prático, porém mais arriscado. Para funcionar, o empresário precisa conhecer o assunto e a agência deve ser de muita confiança, ou poderá não ter envolvimento com a empresa.


O especialista recomenda o segundo caminho, adotado pela maioria das empresas. “Como o Marketing deve ser a estratégia central de qualquer empresa, é desejável que o empresário e todos os envolvidos com a gestão do negócio estudem muito sobre marketing digital, pois não há receita pronta para o sucesso nesse meio”, conclui.

Para saber mais sobre marketing, procure o Sebrae ou conheça o curso Marketing na Medida.


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