Inovação

01 setembro, 2017 • Inovação, Mercado e Vendas

Inclusão fashion

Já falamos aqui no blog sobre a importância de ter um negócio acessível, tanto do ponto de vista estrutural quanto do atendimento especializado para pessoas com deficiência. No entanto, o conceito de acessibilidade ultrapassa as barreiras físicas e do preconceito, chegando até o bem-estar de cada indivíduo.

A chamada Moda Inclusiva busca proporcionar autonomia e praticidade para quem usa e pode ser uma excelente oportunidade de negócio para quem fabrica e para quem vende. Apesar da discussão em torno do assunto ainda ser tímida, sobretudo sem o apoio de grandes fabricantes e magazines do setor têxtil, em Campo Grande, o tema tem ganhado visibilidade, falando com um mercado de nicho que pode representar uma grande fatia do segmento.

No curso superior de Design de Moda da Uniderp, por exemplo, os assuntos deficiência, acessibilidade e inclusão estão sempre em pauta.
“Temos na matriz curricular disciplinas que apontam para estas temáticas, como por exemplo, Ergonomia no Design, Modelagem, Criação em Design, Projeto Integrado, Desenho de Moda, entre outras. Acreditamos que a moda deve ser para todos, independentemente de biótipo. Trazer este assunto para dentro de uma sala de aula quebra os paradigmas de uma relação com o mundo da moda já estabelecido. Esse é um nicho de mercado pouquíssimo explorado e que proporciona o contato com pessoas que trazem histórias marcantes de vida, de força e coragem”, pontua Carolina Debus, coordenadora do curso.

No entanto, entre os bancos universitários e a fabricação de peças funcionais, um longo caminho ainda precisa ser trilhado, de acordo com a diretora do Sindvest (Sindicato das Indústrias do Vestuário, Fiação e Tecelagem de MS) e empresária do setor de confecção, Idalina Zanolli.

“Atender esse mercado de forma satisfatória e digna será possível, mas a longo prazo e vai exigir grandes mudanças, sobretudo relacionadas à consciência social e expertise comercial”, explica.

Fomentar esse mercado com foco na ergonomia depende, também, de estender a questão da deficiência para diversos grupos da sociedade, propondo uma reflexão comportamental, entendendo a rotina da pessoa com deficiência. Ela trabalha, estuda, tem vida social, tem poder aquisitivo, é um consumidor como qualquer outro e gosta de ter opções e de estar bem-vestido como uma roupa adequada para cada ocasião.

Deficiente física e presidente da AMDEF/CG (Associação de Mulheres com Deficiência de Campo Grande), Mirella Tosta, sente na pele as dificuldades na hora de comprar roupas.

“As deficiências não são todas iguais, cada pessoa com deficiência tem suas particularidades e especificidades, mas não temos nada que nos inclua e nos contemple de fato. Nós é que nos adaptamos aos produtos que existem no mercado. Nem sempre é a roupa que a gente queria ou esperava, mas é a que tem”, relata Mirella, que pontua, também, a ausência de rampas de acesso, provadores adaptados e funcionários treinados.

Independência na prática

Além de proporcionar a autoestima das pessoas com deficiência, é importante ressaltar a autonomia que as pessoas adquirem quando encontram roupas que conseguem vestir sozinhas, com soluções que facilitam o seu dia a dia, como modelagens diferenciadas.

Para uma pessoa com deficiência visual, por exemplo, uma peça com etiqueta em braile com informações sobre tamanho e cor, pode fazer toda a diferença. Para um cadeirante, tecidos mais elásticos e zíperes laterais facilitam na hora de vestir sozinho.

Desfile

Ideias como essas foram levadas para a passarela em 2016, quando o curso de Moda da Uniderp participou do primeiro desfile de moda inclusiva, uma parceria entre o curso, o shopping Bosque dos Ipês e Associação das Mulheres com Deficiência de Campo Grande.

Os acadêmicos fizeram um trabalho de ergonomia no vestuário focada em cada uma das 12 modelos; eles que criaram e confeccionaram cada peça. Um editorial de moda e um calendário também foram lançados.

Clique para conhecer a programação completa do Projeto Moda MS do Sebrae!


Que bom tê-lo como leitor do blog do Sebrae MS!
Tem interesse em saber mais sobre as nossas consultorias?

Clique aqui!







Deixe seu Comentário