Casos de Sucesso

28 fevereiro, 2018 • Casos de Sucesso

Elas querem dominar o mundo dos negócios

O número de mulheres à frente de novas empresas no Brasil já é maior que o de homens: de todas as empresas criadas nos últimos três anos e meio, 51,5% foram abertas por mulheres. Os dados são da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor 2016, realizada pelo Sebrae e pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), que revela, ainda, que o país possui atualmente cerca de 8 milhões de empresárias.

No Mês das Mulheres, o Sebrae/MS apresenta matérias especiais sobre elas, que não só abriram suas empresas, mas que escolheram segmentos que, geralmente, são dominados por homens. Coragem e ousadia em dose dupla.

Diminuir-se para se encaixar em padrões nunca foi o forte de Janaína dos Santos. Depois de estudar em um colégio agrícola em São Paulo e trabalhar com acabamento na construção civil, ela resolveu ousar ainda mais: abriu uma barbearia!

O negócio surgiu em 2015, sem muito planejamento, quando Janaína se inscreveu em um curso de barbeiro. Ao terminar, como se sentiu insegura, emendou em um segundo curso para aperfeiçoar as técnicas. Enquanto isso, o espaço que tem em frente da casa onde mora com a mãe e com o irmão – e que já foi pizzaria e sorveteria – ganhou nova pintura, novos móveis, uma nova cara e hoje é o ponto da Eugênio Barbearia.

Com investimento inicial de R$ 10 mil, entre cursos, móveis e maquinários, a Eugênio Barbearia foi pioneira em oferecer o serviço no Jardim Monumento – bairro da capital sul-mato-grossense – e região. Tocando o negócio, Janaína está sozinha por escolha: não pretende expandir, nem contratar alguém por ora.

“Tenho clientes fiéis do bairro e clientes que já até mudaram daqui, mas fazem questão de voltar só para serem atendidos por mim. Para crescer, preciso antes me preparar, fazer alguns cursos de gestão, por exemplo. Quanto maior o negócio, maior a responsabilidade”, avalia.

Apesar de já ter passado por situações constrangedoras, como cantadas de clientes, por exemplo, Janaína garante que ser firme e, com um toque de bom humor, resolver essas situações.

“Fica quem é cliente porque gosta da qualidade do serviço. Quem só estava fazendo graça vai embora e nunca mais volta. Acho que consigo me impor de forma educada e deixar claro que eu sou profissional”, defende.

Da piscina para o bar

Os anos como atleta preparavam Fernanda Marques para a vida do empreendedorismo e ela nem sabia. Nadadora profissional dos quatro anos até a faculdade (que inclusive cursou como bolsista por praticar o esporte), a jovem de 30 anos vive no dia a dia a lição mais forte que aprendeu durante a infância e a adolescência nas piscinas: a resiliência.

Formada em publicidade e propaganda e com experiência na área de eventos, a vontade de empreender ganhou força e a oportunidade fez nascer o Sacramento Cervejaria. Só então Fernanda entendeu as diferenças que a sociedade faz entre homens e mulheres.

“Na minha família nunca existiu qualquer tipo de diferenciação, o tratamento dado pra mim e pro meu irmão era exatamente o mesmo, sempre foi tudo muito igual. Mas na primeira seleção que fiz para contratar garçons, antes mesmo de abrir o bar, senti o impacto. Os candidatos simplesmente não acreditavam que eu era a dona do bar, achavam que era do meu marido, meu pai, que eu tinha um sócio homem”, relembra.

Essa quebra de preconceitos e paradigmas faz parte da rotina de Fernanda há um ano meio, período que está à frente do bar, que hoje possui 12 funcionários. Apesar das desconfianças, que surgem também de fornecedores e clientes, e de cantadas – com as quais ela encontrou uma maneira profissional de lidar – a empresária se mostra otimista e ressalta algumas vantagens das mulheres que decidem empreender.

“Nós, mulheres, temos características que ajudam a compor um perfil empreendedor. A sensibilidade feminina para os detalhes faz toda a diferença: é o detalhe do atendimento, da montagem do prato, na decoração, na maneira de se comunicar”, enumera.

Realista, Fernanda sabe que empreender exige sacrifícios. “Hoje, eu coloquei minha vida profissional como prioridade, então minha vida pessoal sai mesmo meio prejudicada, perco muitas comemorações da família; e, para ver meus amigos, eles têm vir até o bar. Tenho consciência de que eu só consigo fazer tudo o que faço porque não sou casada e não tenho filhos, mas isso é escolha de vida. E esse talvez seja um dilema que um homem não enfrente. Mas, eu sou mulher e sou realizada assim. Amanhã, depois, isso pode mudar”, explica.

O Sebrae/MS se inspirou nas histórias de mulheres empreendedoras, como a Janaína e a Fernanda, e preparou um mês inteiro de atividades para você, mulher, que já tem seu próprio negócio ou que ainda vai ter. Acesse a programação e participe!

 









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