Empreendedorismo

11 maio, 2020 • Empreendedorismo

As profissões delas que também são deles

Por muito tempo, o senso comum da sociedade dividiu algumas funções e profissões entre “trabalho de homem” e “trabalho de mulher”. Já contamos aqui no Blog do Sebrae MS histórias de mulheres que resolveram empreender em segmentos considerados “deles” e têm se saído muito bem. Hoje a gente traz para você histórias de homens que empreendem e têm feito a diferença em áreas, geralmente, dominadas pelas mulheres. Confira!

Entre tecidos e noivas

De origem humilde, Márcio Rocha Araújo (37 anos) sempre precisou trabalhar para ajudar em casa. Quando era atendente em uma casa de fogos em Campo Grande, conheceu o dono de uma confecção que estava contratando ajudante. Aos 16 anos e sem nunca ter colocado uma linha na agulha, Márcio começou como auxiliar de alfaiataria. “Quando cheguei não sabia nada, nome de tecido, nada mesmo. Mas fui pegando gosto, quando acabava meu horário de trabalho, ficava com a costureira tentando aprender”, relembra.

 

A curiosidade e o esforço durante seis anos deram a Márcio experiência e segurança necessárias para começar a atender seus clientes na sala da casa onde morava com a mãe. Especializado em roupas masculinas, passou a ser procurado pelas amigas para fazer pequenos consertos, depois peças avulsas e simples, como blusas e calças. A sala ficou pequena e o espaço de trabalho tomou conta do quarto de um irmão (que havia casado e saído de casa) e até do seu próprio quarto.

“Passou um tempo, essas amigas começaram a formar e me pediram para fazer os vestidos da formatura, depois começaram a casar e eu comecei a fazer os vestidos de casamento. Uma responsabilidade muito grande e no começo fiquei inseguro, é uma barreira grande, mas que a gente tem que ultrapassar se quiser crescer. Eu não sabia nem quanto e como cobrar, mas fui aprendendo com a experiência e com as amigas mesmo”, conta.

Com o tempo e de forma muito natural, Márcio foi se especializando em vestidos de festa. O ano de 2009 foi decisivo para sua carreira: venceu um concurso de Miss – organizado por uma loja de tecidos – que premiou também os estilistas das peças usadas pelas modelos.

Com o nome mais conhecido e a demanda aumentando cada vez mais, Márcio precisou construir um espaço exclusivo para atender suas clientes, um ateliê com dois andares (que já começou a ficar pequeno de novo), além disso, fez faculdade de Moda e formou uma equipe de cinco pessoas. Márcio hoje faz vestidos para formandas, madrinhas e até voltou a costurar para homens, mas as suas especialidades são as noivas.

Sobre ser homem atuando na área, Márcio reconhece que em vários eventos voltados para o segmento, ele é o único homem, mas afirma nunca ter tido sua capacidade questionada. “Sempre precisei trabalhar, então não tive muito tempo pra pensar ou reparar nisso, as coisas foram acontecendo. Tem costureira que afirma que faz o mesmo vestido, mas na hora da execução, o que é feito pelo estilista fica diferente, não tem jeito. Nesses 21 anos de atuação, somente uma noiva não fechou comigo porque ela era muçulmana e não poderia tirar a roupa na minha frente, sendo que fazer a molagem do corpo precisa desse momento íntimo. Mas, via de regra, a gente fica tão técnico, tão mecânico, que isso nem é uma questão mais”, explica.

Letras – e oportunidade de negócio – gigantes

Natural de Corumbá, no interior de MS, Victor Mello mudou-se para a capital Campo Grande há 15 anos em busca de oportunidades. Fez faculdade de Ciências Contábeis e Radiologia e trabalhou também no RH de uma grande rede de materiais de construção. Mas a vontade de empreender ainda falava mais alto.

Acompanhando e ajudando uma namorada que trabalhava com decoração de festas infantis, Victor soube de uma empresa que trabalhava com letras gigantes em São Paulo. Com algumas pesquisas descobriu os detalhes do material utilizado, dimensões e valores, descobriu também que, em Campo Grande, ainda não havia ninguém oferecendo o serviço e resolveu investir.

Em maio de 2018, Victor tirou a arte das letras no computador e, com a ajuda do pai que já entendia um pouco de marcenaria, confeccionou em MDF as palavras “LOVE” e “15 anos”. A divulgação inicial foi um post no facebook, na sua conta pessoal mesmo, e passou a usar também a página da empresa da namorada no instagram, que já tinha muitos seguidores. Os clientes da namorada começaram a procurar e as montagens das decorações eram feitas em parceria. O dinheiro dos primeiros aluguéis Victor reinvestia em material para produzir novas letras e ter estoque.

Em outubro do ano passado, o namoro acabou e cada empresa seguiu seu caminho, mas as indicações de clientes e montagens em parceria ainda acontecem. A empresa de Victor continou firme, principalmente depois que criou as páginas específicas para a Mello Letras Gigantes nas redes sociais e uma empresa de formatura da cidade entrou em contato para fechar uma agenda de vários eventos.

De lá pra cá, Victor tem agenda lotada todas as semanas de eventos como formaturas, casamentos, aniversários, confraternizações de empresas, retiros de igreja, shows, entre outros. É uma rotina puxada de 2ª a 2ª que inclui retirada do material, manutenção (limpeza e pintura), entrega e montagem.

“Ainda sou o único a oferecer o serviço na cidade, mas já constatei que 100% das pessoas que trabalham com decoração são mulheres e muitas pensam que sou gay por mexer com isso. O período que tive de experiência com minha ex-namorada me ajudou a desenvolver esse senso estético para escolher o melhor lugar para montar, observar detalhes e tudo mais. E a cada evento novo eu vou aprimorando esse olhar”, comenta Victor.

Boy das Unhas

É assim que Eber Medeiros, 34 anos, se apresenta para suas clientes, no Instagram e para o mundo. Natural de Campo Grande, Eber já começou quatro faculdades (sem concluir nenhuma), mudou-se para Curitiba e Ponto Seguro por conta de oportunidades, já vendeu de móveis a pacotes de turismo.

Sim, Eber tentou de tudo para encontrar seu lugar ao sol, mas foi com a insistência da prima Aline Monteiro – que já reconhecia seu talento para trabalhos manuais e artesanais – que ele se encontrou, em 2018. De última hora, mudou o curso de barbeiro para o de alongamento de unha em fibra de vidro. O curso foi um presente da prima, inclusive.

“Há um ano meu sustento vem exclusivamente desse trabalho, eu realmente me encontrei. Vira e mexe outros salões me procuram e me chamam para trabalhar, mas vou continuar onde estou. Tenho trabalhado muito, minhas clientes são todas por indicação, faço divulgação pelo instagram também, inclusive foi em uma oficina do Sebrae com o Juliano Kimura que aprendi a divulgar pelas redes sociais”, afirma.

Eber afirma nunca ter se deparado com nenhuma situação constrangedora ou preconceito por ser homem e que tem até o sonho de montar um espaço de serviços estéticos feminos com atendimento feito só por homens. “Vai ser novo, revolucionário e vai atender uma demanda que eu sei que existe porque 90% das minhas clientes dizem preferir homens para esse tipo de serviço porque eles respeitam mais a vontade da cliente”, explica.

Talento de família

Com a mãe cabeleireira, Ricardo Leite Rodrigues, 38 anos, cresceu em meio a escovas, tesouras e tinturas do salão de beleza que funcionava em casa. Já adulto, estudou administração e redes de computadores, atuou como piloto de avião e também com culinária, mas o talento para a estética já estava no DNA e falou mais alto quando começou a namorar uma modelo.

“Eu a acompanhava nos desfiles e via que nos bastidores era só homem mexendo com cabelo e maquiagem, eu tinha interesse, cresci vendo minha mãe fazer isso, minhas duas irmãs também têm salão, mas eu tinha vergonha. Meus amigos brincavam e tiravam sarro no começo, mas foi bem na época que as barbearias começaram a abrir em Campo Grande, então muitos foram fazer o curso de barbeiro e acabaram mexendo também com cabelo de mulher”, conta.

Ricardo fez o curso de Cabeleireiro Completo do Senac e aproveitou toda a experiência e know how de mais de 40 anos da mãe, Ridete, para se aperfeiçoar. Já são oito anos atendendo e tirando da profissão o sustento. Hoje Ricardo se considera especialista em loiro, mas sabe fazer todo tipo de serviço, até micropigmentação de sobrancelhas.

“Tenho clientes que me procuraram justamente por eu ser homem, porque dizem que é difícil ter homem nessa área, mas quando tem costuma ser muito bom”, comenta.

Há alguns meses, Ricardo comprou um sítio em Água Clara, onde lida com compra e venda de gado e criação de outros animais. Dividindo o tempo e a rotina entre as duas ocupações, fica duas semanas na capital e as outras duas na cidade do interior, onde, inclusive, já começou também a formar a clientela como cabeleireiro. “Como fico um tempo sem ir, oriento as clientes sobre o tratamento adequado, pra cor durar mais e oc abelo ficar sempre bonito. Ainda que a demanda no sítio aumente e eu me dedique mais a ele, tem clientes que nunca vou abandonar”, afirma.

Tem uma história legal de empreendedorismo? Entre em contato com o Sebrae e compartilhe com a gente!

Por muito tempo, o senso comum da sociedade dividiu algumas funções e profissões entre “trabalho de homem” e “trabalho de mulher”. Já contamos aqui no Blog do Sebrae MS histórias de mulheres que resolveram empreender em segmentos considerados “deles” e têm se saído muito bem. Hoje a gente traz para você histórias de homens que empreendem e têm feito a diferença em áreas, geralmente, dominadas pelas mulheres. Confira!

Entre tecidos e noivas

De origem humilde, Márcio Rocha Araújo (37 anos) sempre precisou trabalhar para ajudar em casa. Quando era atendente em uma casa de fogos em Campo Grande, conheceu o dono de uma confecção que estava contratando ajudante. Aos 16 anos e sem nunca ter colocado uma linha na agulha, Márcio começou como auxiliar de alfaiataria. “Quando cheguei não sabia nada, nome de tecido, nada mesmo. Mas fui pegando gosto, quando acabava meu horário de trabalho, ficava com a costureira tentando aprender”, relembra.

 

A curiosidade e o esforço durante seis anos deram a Márcio experiência e segurança necessárias para começar a atender seus clientes na sala da casa onde morava com a mãe. Especializado em roupas masculinas, passou a ser procurado pelas amigas para fazer pequenos consertos, depois peças avulsas e simples, como blusas e calças. A sala ficou pequena e o espaço de trabalho tomou conta do quarto de um irmão (que havia casado e saído de casa) e até do seu próprio quarto.

“Passou um tempo, essas amigas começaram a formar e me pediram para fazer os vestidos da formatura, depois começaram a casar e eu comecei a fazer os vestidos de casamento. Uma responsabilidade muito grande e no começo fiquei inseguro, é uma barreira grande, mas que a gente tem que ultrapassar se quiser crescer. Eu não sabia nem quanto e como cobrar, mas fui aprendendo com a experiência e com as amigas mesmo”, conta.

Com o tempo e de forma muito natural, Márcio foi se especializando em vestidos de festa. O ano de 2009 foi decisivo para sua carreira: venceu um concurso de Miss – organizado por uma loja de tecidos – que premiou também os estilistas das peças usadas pelas modelos.

Com o nome mais conhecido e a demanda aumentando cada vez mais, Márcio precisou construir um espaço exclusivo para atender suas clientes, um ateliê com dois andares (que já começou a ficar pequeno de novo), além disso, fez faculdade de Moda e formou uma equipe de cinco pessoas. Márcio hoje faz vestidos para formandas, madrinhas e até voltou a costurar para homens, mas as suas especialidades são as noivas.

Sobre ser homem atuando na área, Márcio reconhece que em vários eventos voltados para o segmento, ele é o único homem, mas afirma nunca ter tido sua capacidade questionada. “Sempre precisei trabalhar, então não tive muito tempo pra pensar ou reparar nisso, as coisas foram acontecendo. Tem costureira que afirma que faz o mesmo vestido, mas na hora da execução, o que é feito pelo estilista fica diferente, não tem jeito. Nesses 21 anos de atuação, somente uma noiva não fechou comigo porque ela era muçulmana e não poderia tirar a roupa na minha frente, sendo que fazer a molagem do corpo precisa desse momento íntimo. Mas, via de regra, a gente fica tão técnico, tão mecânico, que isso nem é uma questão mais”, explica.

Letras – e oportunidade de negócio – gigantes

Natural de Corumbá, no interior de MS, Victor Mello mudou-se para a capital Campo Grande há 15 anos em busca de oportunidades. Fez faculdade de Ciências Contábeis e Radiologia e trabalhou também no RH de uma grande rede de materiais de construção. Mas a vontade de empreender ainda falava mais alto.

Acompanhando e ajudando uma namorada que trabalhava com decoração de festas infantis, Victor soube de uma empresa que trabalhava com letras gigantes em São Paulo. Com algumas pesquisas descobriu os detalhes do material utilizado, dimensões e valores, descobriu também que, em Campo Grande, ainda não havia ninguém oferecendo o serviço e resolveu investir.

Em maio de 2018, Victor tirou a arte das letras no computador e, com a ajuda do pai que já entendia um pouco de marcenaria, confeccionou em MDF as palavras “LOVE” e “15 anos”. A divulgação inicial foi um post no facebook, na sua conta pessoal mesmo, e passou a usar também a página da empresa da namorada no instagram, que já tinha muitos seguidores. Os clientes da namorada começaram a procurar e as montagens das decorações eram feitas em parceria. O dinheiro dos primeiros aluguéis Victor reinvestia em material para produzir novas letras e ter estoque.

Em outubro do ano passado, o namoro acabou e cada empresa seguiu seu caminho, mas as indicações de clientes e montagens em parceria ainda acontecem. A empresa de Victor continou firme, principalmente depois que criou as páginas específicas para a Mello Letras Gigantes nas redes sociais e uma empresa de formatura da cidade entrou em contato para fechar uma agenda de vários eventos.

De lá pra cá, Victor tem agenda lotada todas as semanas de eventos como formaturas, casamentos, aniversários, confraternizações de empresas, retiros de igreja, shows, entre outros. É uma rotina puxada de 2ª a 2ª que inclui retirada do material, manutenção (limpeza e pintura), entrega e montagem.

“Ainda sou o único a oferecer o serviço na cidade, mas já constatei que 100% das pessoas que trabalham com decoração são mulheres e muitas pensam que sou gay por mexer com isso. O período que tive de experiência com minha ex-namorada me ajudou a desenvolver esse senso estético para escolher o melhor lugar para montar, observar detalhes e tudo mais. E a cada evento novo eu vou aprimorando esse olhar”, comenta Victor.

Boy das Unhas

É assim que Eber Medeiros, 34 anos, se apresenta para suas clientes, no Instagram e para o mundo. Natural de Campo Grande, Eber já começou quatro faculdades (sem concluir nenhuma), mudou-se para Curitiba e Ponto Seguro por conta de oportunidades, já vendeu de móveis a pacotes de turismo.

Sim, Eber tentou de tudo para encontrar seu lugar ao sol, mas foi com a insistência da prima Aline Monteiro – que já reconhecia seu talento para trabalhos manuais e artesanais – que ele se encontrou, em 2018. De última hora, mudou o curso de barbeiro para o de alongamento de unha em fibra de vidro. O curso foi um presente da prima, inclusive.

“Há um ano meu sustento vem exclusivamente desse trabalho, eu realmente me encontrei. Vira e mexe outros salões me procuram e me chamam para trabalhar, mas vou continuar onde estou. Tenho trabalhado muito, minhas clientes são todas por indicação, faço divulgação pelo instagram também, inclusive foi em uma oficina do Sebrae com o Juliano Kimura que aprendi a divulgar pelas redes sociais”, afirma.

Eber afirma nunca ter se deparado com nenhuma situação constrangedora ou preconceito por ser homem e que tem até o sonho de montar um espaço de serviços estéticos feminos com atendimento feito só por homens. “Vai ser novo, revolucionário e vai atender uma demanda que eu sei que existe porque 90% das minhas clientes dizem preferir homens para esse tipo de serviço porque eles respeitam mais a vontade da cliente”, explica.

Talento de família

Com a mãe cabeleireira, Ricardo Leite Rodrigues, 38 anos, cresceu em meio a escovas, tesouras e tinturas do salão de beleza que funcionava em casa. Já adulto, estudou administração e redes de computadores, atuou como piloto de avião e também com culinária, mas o talento para a estética já estava no DNA e falou mais alto quando começou a namorar uma modelo.

“Eu a acompanhava nos desfiles e via que nos bastidores era só homem mexendo com cabelo e maquiagem, eu tinha interesse, cresci vendo minha mãe fazer isso, minhas duas irmãs também têm salão, mas eu tinha vergonha. Meus amigos brincavam e tiravam sarro no começo, mas foi bem na época que as barbearias começaram a abrir em Campo Grande, então muitos foram fazer o curso de barbeiro e acabaram mexendo também com cabelo de mulher”, conta.

Ricardo fez o curso de Cabeleireiro Completo do Senac e aproveitou toda a experiência e know how de mais de 40 anos da mãe, Ridete, para se aperfeiçoar. Já são oito anos atendendo e tirando da profissão o sustento. Hoje Ricardo se considera especialista em loiro, mas sabe fazer todo tipo de serviço, até micropigmentação de sobrancelhas.

“Tenho clientes que me procuraram justamente por eu ser homem, porque dizem que é difícil ter homem nessa área, mas quando tem costuma ser muito bom”, comenta.

Há alguns meses, Ricardo comprou um sítio em Água Clara, onde lida com compra e venda de gado e criação de outros animais. Dividindo o tempo e a rotina entre as duas ocupações, fica duas semanas na capital e as outras duas na cidade do interior, onde, inclusive, já começou também a formar a clientela como cabeleireiro. “Como fico um tempo sem ir, oriento as clientes sobre o tratamento adequado, pra cor durar mais e oc abelo ficar sempre bonito. Ainda que a demanda no sítio aumente e eu me dedique mais a ele, tem clientes que nunca vou abandonar”, afirma.

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