Finanças

29 maio, 2020 • Finanças

Pandemia exige reorganização das finanças e da gestão dos pequenos negócios

A gestão de finanças das empresas é sempre um assunto muitíssimo importante, mas que também é encarado com certo receio pela maioria dos empresários brasileiros. Porém tão importante quanto as vendas são os setores administrativos e financeiros.

E negligenciar a gestão financeira, ainda mais durante o período de pandemia que estamos enfrentando, é a receita para o fracasso nos negócios. Pensando nisso, conversamos com o consultor financeiro Rosenildo de Freitas Sales e vamos te mostrar os pontos mais importantes a serem levados em consideração para que o empresário consiga se manter e garantir o funcionamento da empresa.

Para onde deve ir a sua atenção

Sales aconselha focar em três aspectos: o planejamento de metas de vendas, gestão de fluxo de caixa e redução das despesas fixas. Entenda o porquê a seguir.

  • Planejamento de metas de vendas: “É importante considerar uma queda acentuada nos próximos três meses. Recomendamos planejar uma queda de 70% no primeiro mês, 60% no segundo e 50% no terceiro mês, e se persistir a necessidade de isolamento social e restrições de circulação que afetam o consumo, rever novamente esse planejamento pois as quedas podem se estender”.
  • Gestão de fluxo de caixa: “Atualizar e fazer uma análise do desencaixe gerado com a queda de faturamento. O recomendado é dividir as despesas por categorias contábeis (plano de contas) e por grupos de despesas fixas e variáveis, pois as despesas variáveis reduzem e aumentam conforme o faturamento. Desta forma, o empresário saberá qual a sua capacidade de caixa para manter o negócio em operação, e caso o caixa gerado com o planejamento requeira cortes de despesas, o foco deverá ser dirigido às despesas fixas”.
  • Redução das despesas fixas: “Cortar aquelas não são vitais para manter a empresa em funcionamento. Para saber isso, é simples, faça a seguinte pergunta: se eu cortar a despesas ‘X’ ou ‘Y’, vai prejudicar meu negócio ou fazer pará-lo? Este é um momento apropriado para renegociar algumas despesas como: aluguel, telefone/internet e celular. Outro ponto extremamente importante a ser analisado é se junto às despesas da empresa não estariam inseridos gastos pessoais dos empreendedores, pois o correto é que somente as despesas da empresas sejam pagas por ela, e que o empreendedor faça suas análises de despesas pessoais em separado”.

Renegociação

Outra questão que permeia as finanças das pequenas empresas e que tem sido bastante comentada neste período é sobre renegociar algumas despesas, como Sales já comentou no parágrafo anterior.

Por ser um ponto importante, vamos aprofundar um pouco mais. De acordo com o consultor, a renegociação pode ser vital mas não deve ser feita de forma aleatória ou simplesmente para “acalmar os ânimos” de fornecedores e credores. “Recomendamos que toda e qualquer negociação esteja embasada pelo planejamento do fluxo de caixa da empresa, pois deve ser viável para as partes e possível dentro da capacidade de pagamento da empresa. Uma vez feita uma negociação, ela deve ser respeitada e cumprida, caso isso não ocorra, colocará o empresário e seu negócio em descrédito com a outra parte, gerando, assim, grandes dificuldades para novos pleitos e negociações”, explica.

Sales ressalta que caso você não consiga cumprir com os pagamentos, deve-se entrar em contato com o fornecedor ou credor antes que a situação aconteça. Dessa forma, é possível já chegar com uma nova análise das suas capacidades de pagamento e tentar novos prazos e formas de se cumprir com o acordo.

É a hora certa para empréstimos ou conseguir crédito?

Em meio a este momento de pandemia, é comum que da análise profunda das finanças da empresa chegue-se à conclusão da necessidade de aporte de capital próprio ou de terceiros, mas essa é uma decisão que deve ser tomada com muita cautela.

“Se a necessidade de crédito for para financiar uma reforma ou um investimento, recomendamos adiar tais planos, pois o foco deve estar em manter a operação saudável. Porém se a necessidade for de capital de giro para manter a operação (pagamento de despesas fixas e fornecedores), o recomendado é que o valor do crédito atenda as necessidades do Fluxo de Caixa, da mesma forma que o Fluxo de Caixa suporte com os pagamentos das parcelas (amortização e juros) do empréstimo”, aconselha Sales.

O Governo Federal disponibilizou soluções de crédito para os empreendedores, como linhas via BNDES. E no caso específico do Centro-Oeste, foi estruturada uma parceria entre o Sebrae e a Caixa Econômica Federal, você pode entender melhor clicando aqui.

Medidas aprovadas pelo Banco Central e Conselho Monetário

Sales elencou as principais medidas de combate à crise gerada pela pandemia do novo coronavírus.

Medidas de Liquidez: Possibilitar aos bancos obterem mais dinheiro, com custo menor e que, preferencialmente, sejam usados para conceder empréstimos a seus clientes. Compõem as medidas de liquidez as seguintes medidas:

    1. Empréstimo para bancos com lastro em papéis (letras financeiras);
    2. Redução de compulsório e LCR;
    3. Empréstimo com garantia de debêntures e compulsórios;
    4. Novo Depósito a Prazo com Garantias Especiais (NDPGE);
    5. Operações compromissadas com títulos públicos federais em dólar;
    6. Flexibilização nas LCA (Letras de Crédito do Agronegócio).

Essas medidas visam disponibilizar R$ 1,193 tri no sistema bancário para empréstimos e financiamentos;

Medidas de Liberação de Capital: Na prática, permite que os bancos emprestem mais dinheiro com o mesmo nível de patrimônio, compondo a medida de liberação de capital, ou seja:

    1. Redução do ACCP (Adicional de Conservação de Capital Principal);
    2. “Overhedge” de investimentos em participações no exterior.

“O Banco Central espera, com isso, aumentar a facilidade de conversão de ativos financeiros em dinheiro. Tendo mais dinheiro disponível para circular, reduz-se o risco de uma retração muito forte do mercado”, finaliza.

Se você é empreendedor e ainda tem dúvidas, seja na área de finanças ou qualquer outra, entre em contato com o Sebrae MS. Nossos especialistas podem te orientar e te ajudar a resistir nesse momento difícil.

A gestão de finanças das empresas é sempre um assunto muitíssimo importante, mas que também é encarado com certo receio pela maioria dos empresários brasileiros. Porém tão importante quanto as vendas são os setores administrativos e financeiros.

E negligenciar a gestão financeira, ainda mais durante o período de pandemia que estamos enfrentando, é a receita para o fracasso nos negócios. Pensando nisso, conversamos com o consultor financeiro Rosenildo de Freitas Sales e vamos te mostrar os pontos mais importantes a serem levados em consideração para que o empresário consiga se manter e garantir o funcionamento da empresa.

Para onde deve ir a sua atenção

Sales aconselha focar em três aspectos: o planejamento de metas de vendas, gestão de fluxo de caixa e redução das despesas fixas. Entenda o porquê a seguir.

  • Planejamento de metas de vendas: “É importante considerar uma queda acentuada nos próximos três meses. Recomendamos planejar uma queda de 70% no primeiro mês, 60% no segundo e 50% no terceiro mês, e se persistir a necessidade de isolamento social e restrições de circulação que afetam o consumo, rever novamente esse planejamento pois as quedas podem se estender”.
  • Gestão de fluxo de caixa: “Atualizar e fazer uma análise do desencaixe gerado com a queda de faturamento. O recomendado é dividir as despesas por categorias contábeis (plano de contas) e por grupos de despesas fixas e variáveis, pois as despesas variáveis reduzem e aumentam conforme o faturamento. Desta forma, o empresário saberá qual a sua capacidade de caixa para manter o negócio em operação, e caso o caixa gerado com o planejamento requeira cortes de despesas, o foco deverá ser dirigido às despesas fixas”.
  • Redução das despesas fixas: “Cortar aquelas não são vitais para manter a empresa em funcionamento. Para saber isso, é simples, faça a seguinte pergunta: se eu cortar a despesas ‘X’ ou ‘Y’, vai prejudicar meu negócio ou fazer pará-lo? Este é um momento apropriado para renegociar algumas despesas como: aluguel, telefone/internet e celular. Outro ponto extremamente importante a ser analisado é se junto às despesas da empresa não estariam inseridos gastos pessoais dos empreendedores, pois o correto é que somente as despesas da empresas sejam pagas por ela, e que o empreendedor faça suas análises de despesas pessoais em separado”.

Renegociação

Outra questão que permeia as finanças das pequenas empresas e que tem sido bastante comentada neste período é sobre renegociar algumas despesas, como Sales já comentou no parágrafo anterior.

Por ser um ponto importante, vamos aprofundar um pouco mais. De acordo com o consultor, a renegociação pode ser vital mas não deve ser feita de forma aleatória ou simplesmente para “acalmar os ânimos” de fornecedores e credores. “Recomendamos que toda e qualquer negociação esteja embasada pelo planejamento do fluxo de caixa da empresa, pois deve ser viável para as partes e possível dentro da capacidade de pagamento da empresa. Uma vez feita uma negociação, ela deve ser respeitada e cumprida, caso isso não ocorra, colocará o empresário e seu negócio em descrédito com a outra parte, gerando, assim, grandes dificuldades para novos pleitos e negociações”, explica.

Sales ressalta que caso você não consiga cumprir com os pagamentos, deve-se entrar em contato com o fornecedor ou credor antes que a situação aconteça. Dessa forma, é possível já chegar com uma nova análise das suas capacidades de pagamento e tentar novos prazos e formas de se cumprir com o acordo.

É a hora certa para empréstimos ou conseguir crédito?

Em meio a este momento de pandemia, é comum que da análise profunda das finanças da empresa chegue-se à conclusão da necessidade de aporte de capital próprio ou de terceiros, mas essa é uma decisão que deve ser tomada com muita cautela.

“Se a necessidade de crédito for para financiar uma reforma ou um investimento, recomendamos adiar tais planos, pois o foco deve estar em manter a operação saudável. Porém se a necessidade for de capital de giro para manter a operação (pagamento de despesas fixas e fornecedores), o recomendado é que o valor do crédito atenda as necessidades do Fluxo de Caixa, da mesma forma que o Fluxo de Caixa suporte com os pagamentos das parcelas (amortização e juros) do empréstimo”, aconselha Sales.

O Governo Federal disponibilizou soluções de crédito para os empreendedores, como linhas via BNDES. E no caso específico do Centro-Oeste, foi estruturada uma parceria entre o Sebrae e a Caixa Econômica Federal, você pode entender melhor clicando aqui.

Medidas aprovadas pelo Banco Central e Conselho Monetário

Sales elencou as principais medidas de combate à crise gerada pela pandemia do novo coronavírus.

Medidas de Liquidez: Possibilitar aos bancos obterem mais dinheiro, com custo menor e que, preferencialmente, sejam usados para conceder empréstimos a seus clientes. Compõem as medidas de liquidez as seguintes medidas:

    1. Empréstimo para bancos com lastro em papéis (letras financeiras);
    2. Redução de compulsório e LCR;
    3. Empréstimo com garantia de debêntures e compulsórios;
    4. Novo Depósito a Prazo com Garantias Especiais (NDPGE);
    5. Operações compromissadas com títulos públicos federais em dólar;
    6. Flexibilização nas LCA (Letras de Crédito do Agronegócio).

Essas medidas visam disponibilizar R$ 1,193 tri no sistema bancário para empréstimos e financiamentos;

Medidas de Liberação de Capital: Na prática, permite que os bancos emprestem mais dinheiro com o mesmo nível de patrimônio, compondo a medida de liberação de capital, ou seja:

    1. Redução do ACCP (Adicional de Conservação de Capital Principal);
    2. “Overhedge” de investimentos em participações no exterior.

“O Banco Central espera, com isso, aumentar a facilidade de conversão de ativos financeiros em dinheiro. Tendo mais dinheiro disponível para circular, reduz-se o risco de uma retração muito forte do mercado”, finaliza.

Se você é empreendedor e ainda tem dúvidas, seja na área de finanças ou qualquer outra, entre em contato com o Sebrae MS. Nossos especialistas podem te orientar e te ajudar a resistir nesse momento difícil.


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