Liderança e Pessoas

20 abril, 2020 • Liderança e Pessoas

Um olhar sobre saúde mental nas empresas

Saúde mental nunca foi um tema tão falado, comentado, abordado, discutido, divulgado. No entanto a verdade é que o assunto foi por muito tempo negligenciado e só nos últimos cinco anos tem sido debatido com mais intensidade, de acordo com a psicóloga Liliana A. M. Guimarães. Debate esse muito necessário para desarmar resistências, estigmas e preconceitos e trazer luz a um assunto fundamental para uma sociedade doente como a brasileira.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país mais ansioso do mundo, com 19,4 milhões de brasileiros (9,3% da população) sofrendo com transtornos ansiosos, que incluem ansiedade, fobia, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), estresse pós-traumático e ataque de pânico. Além disso, 5,8% da população (12 milhões de pessoas) tem depressão. Para se ter uma dimensão do problema, é a maior taxa da América Latina e a segunda maior das Américas (os Estados Unidos ocupam o 1º lugar).

“A globalização, a informatização em grau elevado, as rápidas mudanças, a velocidade da vivência do tempo, tudo isso tem contribuído para essa situação limite. Os contextos socioeconômico e político também estão contidos nesse cenário”, esclarece Liliana, que é Professora Doutora do Programa de Mestrado e Doutorado em Psicologia da UCDB e Coordenadora do Laboratório de Saúde Mental e Qualidade de Vida do Trabalhador UCDB/CNPq.

Uma sociedade doente vive doente, convive doente, se relaciona doente e trabalha doente. Prova disso é o Estudo da International Stress Management Association (ISMA), que mostra que nove em cada 10 brasileiros no mercado de trabalho apresentam sintomas de ansiedade. Desses, 47% sofrem algum nível de depressão, do leve ao incapacitante.

“As estatísticas mostram a magnitude do problema. Aumentaram as faltas ao trabalho, as licenças, os afastamentos por problemas ligados ao estresse e à saúde mental, houve aumento do consumo de substâncias lícitas e ilícitas, legais ou não, aumento também nos casos de suicídios”, exemplifica Liliana.

Não se sabe ao certo até que ponto a rotina de trabalho dessas pessoas é a causa dos problemas ou contribui com problemas já existentes, mas não há dúvidas de que é cada vez mais primordial que as empresas se preocupem e se comprometam de fato com a saúde mental e emocional de seus colaboradores e implementem programas específicos. No Brasil, somente 18% das empresas possuem um programa voltado para isso.

“Quando falamos de promover e contribuir com a saúde mental nas empresas, estamos falando de investimentos relacionados à organização e contexto do trabalho, com soluções que visem favorecer o bem-estar e a satisfação do trabalhador e que impliquem em bons resultados para a empresa, comunidade e país. Se o empregado está saudável, a empresa também está saudável, o cliente é melhor atendido em suas necessidades e fica satisfeito, a economia permanece equilibrada, o país se torna mais produtivo, ou seja, todo mundo sai ganhando”, defende. O contrário também ocorre e as perdas, principalmente de dinheiro e talento, não são poucas.

Realidade distante, mas nem tanto

Se você é micro ou pequeno empresário deve estar achando que todo esse papo de programa voltado para a saúde mental dos colaboradores algo inalcançável, do ponto de vista de investimento, certo? Mas Liliana afirma que, independentemente do tamanho da empresa, é possível cuidar.

“Nós temos trabalhado com todos os tipos de empresa, pequenas, grandes, familiares, particulares, públicas. Cada uma tem especificidades a serem levadas em conta pelos Programas de Saúde Geral e Mental. Tudo precisa ser relativizado e escalonado, de acordo o tamanho da organização, mas o princípio é o mesmo: prevenir e tratar problemas de saúde mental e emocional de qualquer pessoa que faça parte daquela organização”, afirma.

O modelo da OMS para ambientes de trabalho saudáveis trabalha com quatro pilares de atuação: ambiente físico do trabalho, ambiente psicossocial, recursos pessoais no ambiente de trabalho e envolvimento com a comunidade. Em cada um dos pilares há ações específicas.

Para te ajudar e entender se o ambiente de trabalho da sua empresa é saudável para seus funcionários, te convidamos a observar pontos como:

– como está a ventilação e a iluminação do local de trabalho?

– todos os funcionários possuem todos os equipamentos e condições para trabalhar? (ou precisam improvisar, por exemplo)

– o papel/função de cada colaborador está claro para todos?

– há muitos funcionários fazendo horas-extras?

– os gestores/líderes são acessíveis aos demais funcionários?

– as pessoas conseguem “ter vida” fora da empresa? (conciliar a jornada com outros projetos, como faculdade, curso, lazer em família, atividades físicas, entre outros)

– algum funcionário apresenta mudança de comportamento?

 

Refletindo sobre esses pontos, fica fácil saber se a sua empresa é um ambiente saudável ou não para seus funcionários. A partir disso, te damos algumas ideias:

  1. Promova mudanças estruturais nos ambientes. Não precisa ser uma reforma, necessariamente, mas mudar a disposição dos móveis, ouvindo as preferências de cada colaborador, pode ter um impacto significativo na felicidade e na produtividade deles
  1. Em parceria com cursos de educação física, implemente ginástica laboral e faça parcerias com academias para estimular a prática de atividade física entre os colaboradores. Às vezes, um alongamento ou um desconto na mensalidade é só o que falta para uma mudança de atitude.
  1. Promova campanhas de conscientização sobre a importância de uma alimentação saudável, de fazer check-ups frequentes, os riscos de fumar, automedicação, uso excessivo de álcool, entre outros temas. Conselhos e classes profissionais da área da saúde costumam promover ações gratuitas nesse sentido.
  1. Permita pausas durante a jornada de trabalho. Duas vezes por semana ou toda sexta-feira, por exemplo, você pode oferecer um café da manhã especial, uma salada de frutas ou um picolé para estimular um momento de interação e descontração para aliviar a pressão do dia a dia no trabalho e torna as relações mais empáticas.
  1. Ofereça treinamentos ou educação continuada, dando feedbacks, reconhecimento de boas performances, investindo em comportamento assertivo e garantindo perspectivas de crescimento na carreira/emprego.
  1. Faça parcerias com universidades para oferecer serviços completos e especializados em saúde mental do trabalhador (para atendimento e encaminhamento de casos mais sérios e complexos da forma adequada).

Liliana reforça que palestras pontuais e ações isoladas dificilmente dão resultado. É preciso tratar de todas essas questões rotineiramente para evitar que os funcionários se isolem e alimentem uma dor silenciosa.

Ainda que o controle emocional e mental seja individual, promover um ambiente favorável à saúde mental é uma tarefa coletiva e parte fundamental para a qualidade de vida do ser humano. Um clima organizacional agradável e saudável favorece o melhor desempenho e aprimora as relações entre funcionários, além de ser excelente para atingir as metas da empresa.

Saúde mental nunca foi um tema tão falado, comentado, abordado, discutido, divulgado. No entanto a verdade é que o assunto foi por muito tempo negligenciado e só nos últimos cinco anos tem sido debatido com mais intensidade, de acordo com a psicóloga Liliana A. M. Guimarães. Debate esse muito necessário para desarmar resistências, estigmas e preconceitos e trazer luz a um assunto fundamental para uma sociedade doente como a brasileira.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país mais ansioso do mundo, com 19,4 milhões de brasileiros (9,3% da população) sofrendo com transtornos ansiosos, que incluem ansiedade, fobia, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), estresse pós-traumático e ataque de pânico. Além disso, 5,8% da população (12 milhões de pessoas) tem depressão. Para se ter uma dimensão do problema, é a maior taxa da América Latina e a segunda maior das Américas (os Estados Unidos ocupam o 1º lugar).

“A globalização, a informatização em grau elevado, as rápidas mudanças, a velocidade da vivência do tempo, tudo isso tem contribuído para essa situação limite. Os contextos socioeconômico e político também estão contidos nesse cenário”, esclarece Liliana, que é Professora Doutora do Programa de Mestrado e Doutorado em Psicologia da UCDB e Coordenadora do Laboratório de Saúde Mental e Qualidade de Vida do Trabalhador UCDB/CNPq.

Uma sociedade doente vive doente, convive doente, se relaciona doente e trabalha doente. Prova disso é o Estudo da International Stress Management Association (ISMA), que mostra que nove em cada 10 brasileiros no mercado de trabalho apresentam sintomas de ansiedade. Desses, 47% sofrem algum nível de depressão, do leve ao incapacitante.

“As estatísticas mostram a magnitude do problema. Aumentaram as faltas ao trabalho, as licenças, os afastamentos por problemas ligados ao estresse e à saúde mental, houve aumento do consumo de substâncias lícitas e ilícitas, legais ou não, aumento também nos casos de suicídios”, exemplifica Liliana.

Não se sabe ao certo até que ponto a rotina de trabalho dessas pessoas é a causa dos problemas ou contribui com problemas já existentes, mas não há dúvidas de que é cada vez mais primordial que as empresas se preocupem e se comprometam de fato com a saúde mental e emocional de seus colaboradores e implementem programas específicos. No Brasil, somente 18% das empresas possuem um programa voltado para isso.

“Quando falamos de promover e contribuir com a saúde mental nas empresas, estamos falando de investimentos relacionados à organização e contexto do trabalho, com soluções que visem favorecer o bem-estar e a satisfação do trabalhador e que impliquem em bons resultados para a empresa, comunidade e país. Se o empregado está saudável, a empresa também está saudável, o cliente é melhor atendido em suas necessidades e fica satisfeito, a economia permanece equilibrada, o país se torna mais produtivo, ou seja, todo mundo sai ganhando”, defende. O contrário também ocorre e as perdas, principalmente de dinheiro e talento, não são poucas.

Realidade distante, mas nem tanto

Se você é micro ou pequeno empresário deve estar achando que todo esse papo de programa voltado para a saúde mental dos colaboradores algo inalcançável, do ponto de vista de investimento, certo? Mas Liliana afirma que, independentemente do tamanho da empresa, é possível cuidar.

“Nós temos trabalhado com todos os tipos de empresa, pequenas, grandes, familiares, particulares, públicas. Cada uma tem especificidades a serem levadas em conta pelos Programas de Saúde Geral e Mental. Tudo precisa ser relativizado e escalonado, de acordo o tamanho da organização, mas o princípio é o mesmo: prevenir e tratar problemas de saúde mental e emocional de qualquer pessoa que faça parte daquela organização”, afirma.

O modelo da OMS para ambientes de trabalho saudáveis trabalha com quatro pilares de atuação: ambiente físico do trabalho, ambiente psicossocial, recursos pessoais no ambiente de trabalho e envolvimento com a comunidade. Em cada um dos pilares há ações específicas.

Para te ajudar e entender se o ambiente de trabalho da sua empresa é saudável para seus funcionários, te convidamos a observar pontos como:

– como está a ventilação e a iluminação do local de trabalho?

– todos os funcionários possuem todos os equipamentos e condições para trabalhar? (ou precisam improvisar, por exemplo)

– o papel/função de cada colaborador está claro para todos?

– há muitos funcionários fazendo horas-extras?

– os gestores/líderes são acessíveis aos demais funcionários?

– as pessoas conseguem “ter vida” fora da empresa? (conciliar a jornada com outros projetos, como faculdade, curso, lazer em família, atividades físicas, entre outros)

– algum funcionário apresenta mudança de comportamento?

 

Refletindo sobre esses pontos, fica fácil saber se a sua empresa é um ambiente saudável ou não para seus funcionários. A partir disso, te damos algumas ideias:

  1. Promova mudanças estruturais nos ambientes. Não precisa ser uma reforma, necessariamente, mas mudar a disposição dos móveis, ouvindo as preferências de cada colaborador, pode ter um impacto significativo na felicidade e na produtividade deles
  1. Em parceria com cursos de educação física, implemente ginástica laboral e faça parcerias com academias para estimular a prática de atividade física entre os colaboradores. Às vezes, um alongamento ou um desconto na mensalidade é só o que falta para uma mudança de atitude.
  1. Promova campanhas de conscientização sobre a importância de uma alimentação saudável, de fazer check-ups frequentes, os riscos de fumar, automedicação, uso excessivo de álcool, entre outros temas. Conselhos e classes profissionais da área da saúde costumam promover ações gratuitas nesse sentido.
  1. Permita pausas durante a jornada de trabalho. Duas vezes por semana ou toda sexta-feira, por exemplo, você pode oferecer um café da manhã especial, uma salada de frutas ou um picolé para estimular um momento de interação e descontração para aliviar a pressão do dia a dia no trabalho e torna as relações mais empáticas.
  1. Ofereça treinamentos ou educação continuada, dando feedbacks, reconhecimento de boas performances, investindo em comportamento assertivo e garantindo perspectivas de crescimento na carreira/emprego.
  1. Faça parcerias com universidades para oferecer serviços completos e especializados em saúde mental do trabalhador (para atendimento e encaminhamento de casos mais sérios e complexos da forma adequada).

Liliana reforça que palestras pontuais e ações isoladas dificilmente dão resultado. É preciso tratar de todas essas questões rotineiramente para evitar que os funcionários se isolem e alimentem uma dor silenciosa.

Ainda que o controle emocional e mental seja individual, promover um ambiente favorável à saúde mental é uma tarefa coletiva e parte fundamental para a qualidade de vida do ser humano. Um clima organizacional agradável e saudável favorece o melhor desempenho e aprimora as relações entre funcionários, além de ser excelente para atingir as metas da empresa.


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