Inovação e Tecnologia

15 abril, 2020 • Inovação e Tecnologia

Para não perder vendas, pequenos se reinventam e apostam em serviços delivery

Desde que foram confirmados os primeiros casos de coronavírus no Brasil, a principal recomendação de especialistas é a do distanciamento social. Shoppings e lojas foram fechadas e eventos foram cancelados para evitar aglomeração de pessoas e reduzir o risco de contágio. Além disso, diversas empresas decretaram home office.

Enquanto há uma preocupação com a recuperação da economia pós-coronavírus, um setor em particular tem ganhado muito destaque durante a quarentena: os serviços de entrega e aplicativos de delivery.

Sem poder sair de casa, o brasileiro foi para a internet buscar as soluções para o dia a dia. Na última semana de março, o volume de buscas do Google relacionadas a serviços de delivery atingiu o maior ponto desde 2004, quando teve início a série histórica.
O aplicativo Rappi divulgou que teve alta de 30% dos pedidos na América Latina, principalmente de farmácias, restaurantes e supermercados.

Falando em supermercados, a Associação Sul-Mato-Grossense de Supermercados (AMAS) divulgou que todos os supermercados da Capital que já trabalhavam com o sistema delivery tiveram aumento na demanda. Algumas redes precisaram, inclusive, contratar funcionários para reforçar o atendimento. Já no interior, os supermercados tiveram que criar o sistema de entrega, principalmente para atender os grupos de risco, mas acabam atendendo também aquelas pessoas que não estão nos grupos de risco e que têm evitado sair de casa.

Do bar para a cozinha

Se é em meio a crise que surgem as melhores oportunidades, como diz o famoso ditado, o casal de empresários Ana Lúcia El Daher e Leonardo Teixeira Maciel estão tentando aproveitá-las da melhor maneira possível.

À frente do Barô Bar há 4 anos, o casal começou a perceber os efeitos da pandemia no final de semana do dia 15 de março. Com uma banda na agenda que geralmente movimenta bastante o bar, perceberam que o movimento, apesar de bom, estava abaixo da média.

No decorrer daquela semana, saiu o primeiro decreto da prefeitura, determinando o fechamento de locais para evitar a aglomeração de pessoas. No primeiro momento, Ana Lúcia acatou o decreto, fechou o estabelecimento e ficou aguardando novidades. Passados 15 dias, percebeu que as restrições teriam continuidade por mais um tempo e que não poderia abrir o bar tão cedo, foi quando resolveu tomar uma atitude.

“Apesar do Barô ser um bar com entretenimento, com cardápio bem de acordo com o movimento da noite e mais voltado para petiscos, a culinária sempre esteve presente na nossa concepção porque nos dias que o bar não abre, a gente trabalha com eventos particulares para os quais eu forneço o buffet com um cardápio especial. Para não ficarmos totalmente parados, elaborei um cardápio com esses pratos para trabalhar por encomenda. Divulguei para os nossos clientes por lista de transmissão e também nas redes sociais. Não sou um restaurante delivery, não tenho uma super estrutura nem uma cozinha ágil pra atender na hora, mas dentro das possibilidades da cozinha que a gente tem no bar, eu pego as encomendas e agendo a data de entrega ou a pessoa também pode vir retirar”, explica.

De acordo com Ana, ainda é cedo para saber sobre os resultados, mas a ideia foi muito bem aceita: tem feito muitas entregas, inclusive pedidos para a sexta-feira santa e domingo de Páscoa. “Foi uma alternativa que a gente encontrou porque assim eu consigo manter as contas do bar em dia e o bar em pé pra quando tudo isso passar a gente abrir da mesma maneira que fechou, sem ter que tirar nada, nem da qualidade do serviço ou capacidade de atendimento, mas com tudo que a gente tem pra oferecer”, finaliza.

Estoque e entrega

Produzindo hambúrgueres saudáveis congelados, Vitória Oliveira de Almeida já seguia todas as recomendações de higiene e manipulação. No entanto, a chegada da quarentena a fez mudar alguns aspectos do MisturaVeg: na produção, passou a estocar mais matéria-prima para precisar sair menos para ir ao mercado. Nas entregas também ocorreram mudanças. Antes, os clientes tinham a opção de ir até a casa de Vitória buscar suas encomendas, mas agora ela optou por trabalhar 100% com delivery agendado e tem priorizado o pagamento por transferência bancária e boleto, para não circular dinheiro e evitar a maquininha de cartão.

“Concentrei as entregas em apenas dois dias da semana e divulgo pelas redes sociais. Isso criou um senso de urgência nos clientes, que já se programam, pagam e só esperam a data. Gerou uma venda garantida. Por esse lado foi muito bom, aumentou o meu faturamento. Além disso, percebi muitos clientes novos que me procuram por uma questão de saúde, estão mais preocupados com uma alimentação mais saudável, talvez por conta da questão da imunidade”, comenta.

Com tudo o que está acontecendo, Vitória percebeu também uma pontinha de insegurança e medo em seus clientes e com uma atitude simples tenta ajudar a mudar o astral a cada entrega: passou a escrever frases e mensagens de otimismo em suas embalagens. “É uma forma de levar esperança e carinho pra essas pessoas, de nos aproximar mais, já que não podemos nos abraçar nesse momento”, finaliza.

Vai ter festa, sim!

Durante sete anos, a confeiteira Lorena Pereira trabalhou com grandes encomendas de bolos, doces e sobremesas para festas e eventos. No entanto sentiu que precisaria se adaptar quando, com o decreto da prefeitura, alguns dos eventos para os quais estava produzindo foram adiados ou cancelados por conta do fechamento dos bufês.

“Não queríamos que as pessoas deixassem de celebrar por não conseguirem fazer as festas que tinham planejado. Diante do pedido de uma cliente que queria mandar um bolo e uns docinhos pra filha dela, a gente teve uma ideia de montar um kit com uma quantidade reduzida de bolo e de doces, para as pessoas confraternizarem com quem está em casa mesmo, mas não deixarem passar a data sem comemorar”, conta.

Assim a Chocolô mudou um pouco o foco: estava acostumada a trabalhar com os docinhos por cento e bolos grandes, bem pesados, e passou a fazer kits, como esse que a Lorena comentou, o “Kit Festa em Casa”, que é um incentivo para as pessoas continuarem em casa e não deixarem de celebrar as datas especiais. Tem também o “Kit Saudade de Você”, montado com docinhos do dia a pronta-entrega e enviado para aquela pessoa especial de quem você está com saudade.

Para dar conta de tudo isso, a Chocolô precisou começar a fazer entregas, serviço que antes não existia. E esse foi também o maior desafio, de acordo com Lorena, porque os produtos são bem delicados e perecíveis, então o transporte tem que ser muito adequado e cuidadoso.

“Por enquanto tem dado tudo muito certo e os resultados têm sido surpreendentes. A aceitação foi boa, as pessoas têm interagido bastante nas redes sociais também. Em volume, nossas vendas estão praticamente iguais, mas como reduzimos as quantidades por encomenda, isso significa que vendemos para mais pessoas, alcançamos um novo público”, comemora.

Desde que foram confirmados os primeiros casos de coronavírus no Brasil, a principal recomendação de especialistas é a do distanciamento social. Shoppings e lojas foram fechadas e eventos foram cancelados para evitar aglomeração de pessoas e reduzir o risco de contágio. Além disso, diversas empresas decretaram home office.

Enquanto há uma preocupação com a recuperação da economia pós-coronavírus, um setor em particular tem ganhado muito destaque durante a quarentena: os serviços de entrega e aplicativos de delivery.

Sem poder sair de casa, o brasileiro foi para a internet buscar as soluções para o dia a dia. Na última semana de março, o volume de buscas do Google relacionadas a serviços de delivery atingiu o maior ponto desde 2004, quando teve início a série histórica.
O aplicativo Rappi divulgou que teve alta de 30% dos pedidos na América Latina, principalmente de farmácias, restaurantes e supermercados.

Falando em supermercados, a Associação Sul-Mato-Grossense de Supermercados (AMAS) divulgou que todos os supermercados da Capital que já trabalhavam com o sistema delivery tiveram aumento na demanda. Algumas redes precisaram, inclusive, contratar funcionários para reforçar o atendimento. Já no interior, os supermercados tiveram que criar o sistema de entrega, principalmente para atender os grupos de risco, mas acabam atendendo também aquelas pessoas que não estão nos grupos de risco e que têm evitado sair de casa.

Do bar para a cozinha

Se é em meio a crise que surgem as melhores oportunidades, como diz o famoso ditado, o casal de empresários Ana Lúcia El Daher e Leonardo Teixeira Maciel estão tentando aproveitá-las da melhor maneira possível.

À frente do Barô Bar há 4 anos, o casal começou a perceber os efeitos da pandemia no final de semana do dia 15 de março. Com uma banda na agenda que geralmente movimenta bastante o bar, perceberam que o movimento, apesar de bom, estava abaixo da média.

No decorrer daquela semana, saiu o primeiro decreto da prefeitura, determinando o fechamento de locais para evitar a aglomeração de pessoas. No primeiro momento, Ana Lúcia acatou o decreto, fechou o estabelecimento e ficou aguardando novidades. Passados 15 dias, percebeu que as restrições teriam continuidade por mais um tempo e que não poderia abrir o bar tão cedo, foi quando resolveu tomar uma atitude.

“Apesar do Barô ser um bar com entretenimento, com cardápio bem de acordo com o movimento da noite e mais voltado para petiscos, a culinária sempre esteve presente na nossa concepção porque nos dias que o bar não abre, a gente trabalha com eventos particulares para os quais eu forneço o buffet com um cardápio especial. Para não ficarmos totalmente parados, elaborei um cardápio com esses pratos para trabalhar por encomenda. Divulguei para os nossos clientes por lista de transmissão e também nas redes sociais. Não sou um restaurante delivery, não tenho uma super estrutura nem uma cozinha ágil pra atender na hora, mas dentro das possibilidades da cozinha que a gente tem no bar, eu pego as encomendas e agendo a data de entrega ou a pessoa também pode vir retirar”, explica.

De acordo com Ana, ainda é cedo para saber sobre os resultados, mas a ideia foi muito bem aceita: tem feito muitas entregas, inclusive pedidos para a sexta-feira santa e domingo de Páscoa. “Foi uma alternativa que a gente encontrou porque assim eu consigo manter as contas do bar em dia e o bar em pé pra quando tudo isso passar a gente abrir da mesma maneira que fechou, sem ter que tirar nada, nem da qualidade do serviço ou capacidade de atendimento, mas com tudo que a gente tem pra oferecer”, finaliza.

Estoque e entrega

Produzindo hambúrgueres saudáveis congelados, Vitória Oliveira de Almeida já seguia todas as recomendações de higiene e manipulação. No entanto, a chegada da quarentena a fez mudar alguns aspectos do MisturaVeg: na produção, passou a estocar mais matéria-prima para precisar sair menos para ir ao mercado. Nas entregas também ocorreram mudanças. Antes, os clientes tinham a opção de ir até a casa de Vitória buscar suas encomendas, mas agora ela optou por trabalhar 100% com delivery agendado e tem priorizado o pagamento por transferência bancária e boleto, para não circular dinheiro e evitar a maquininha de cartão.

“Concentrei as entregas em apenas dois dias da semana e divulgo pelas redes sociais. Isso criou um senso de urgência nos clientes, que já se programam, pagam e só esperam a data. Gerou uma venda garantida. Por esse lado foi muito bom, aumentou o meu faturamento. Além disso, percebi muitos clientes novos que me procuram por uma questão de saúde, estão mais preocupados com uma alimentação mais saudável, talvez por conta da questão da imunidade”, comenta.

Com tudo o que está acontecendo, Vitória percebeu também uma pontinha de insegurança e medo em seus clientes e com uma atitude simples tenta ajudar a mudar o astral a cada entrega: passou a escrever frases e mensagens de otimismo em suas embalagens. “É uma forma de levar esperança e carinho pra essas pessoas, de nos aproximar mais, já que não podemos nos abraçar nesse momento”, finaliza.

Vai ter festa, sim!

Durante sete anos, a confeiteira Lorena Pereira trabalhou com grandes encomendas de bolos, doces e sobremesas para festas e eventos. No entanto sentiu que precisaria se adaptar quando, com o decreto da prefeitura, alguns dos eventos para os quais estava produzindo foram adiados ou cancelados por conta do fechamento dos bufês.

“Não queríamos que as pessoas deixassem de celebrar por não conseguirem fazer as festas que tinham planejado. Diante do pedido de uma cliente que queria mandar um bolo e uns docinhos pra filha dela, a gente teve uma ideia de montar um kit com uma quantidade reduzida de bolo e de doces, para as pessoas confraternizarem com quem está em casa mesmo, mas não deixarem passar a data sem comemorar”, conta.

Assim a Chocolô mudou um pouco o foco: estava acostumada a trabalhar com os docinhos por cento e bolos grandes, bem pesados, e passou a fazer kits, como esse que a Lorena comentou, o “Kit Festa em Casa”, que é um incentivo para as pessoas continuarem em casa e não deixarem de celebrar as datas especiais. Tem também o “Kit Saudade de Você”, montado com docinhos do dia a pronta-entrega e enviado para aquela pessoa especial de quem você está com saudade.

Para dar conta de tudo isso, a Chocolô precisou começar a fazer entregas, serviço que antes não existia. E esse foi também o maior desafio, de acordo com Lorena, porque os produtos são bem delicados e perecíveis, então o transporte tem que ser muito adequado e cuidadoso.

“Por enquanto tem dado tudo muito certo e os resultados têm sido surpreendentes. A aceitação foi boa, as pessoas têm interagido bastante nas redes sociais também. Em volume, nossas vendas estão praticamente iguais, mas como reduzimos as quantidades por encomenda, isso significa que vendemos para mais pessoas, alcançamos um novo público”, comemora.


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